Quinta-Feira, 15 de Janeiro de 2026

O mau exemplo da Europa




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O inverno na Europa, a julgar pelo outono que o antecede, promete ser um dos piores das últimas décadas. Não que se esperem temperaturas mais baixas que as normais e nevascas intensas, mas porque a Covid-19 voltou com força inesperada e está fazendo milhares de vítimas no Continente.

O número de contaminados e de óbitos na França, Portugal, Reino Unido e Alemanha, por exemplo, já está igual ao dos piores momentos da primeira onda da pandemia, conforme noticia a imprensa.

Os governantes, que agora decidiram decretar novo confinamento, se dizem pegos de surpresa pela nova onda, mas estão sendo desmentidos pelos cientistas. Estes alegam que cansaram de alertá-los sobre os riscos de repique da doença.

Interessante que o caso europeu não é de negacionismo de seus governantes, que desde o início acreditaram nos cientistas, mas de medo da reação dos habitantes a um novo confinamento. Medo que se mostrou fundado, como mostram os protestos seguidos de violência, que estão acontecendo em diversos países.

A democracia é uma beleza, mas têm seus custos. Pessoas inconsequentes e cheias de falsos direitos, muitas vezes por prazer de tumultuar, outras aproveitando a confusão para fazerem saques nas empresas, usam esses momentos de instabilidade para aflorarem seus piores instintos. Nos Estados Unidos, por puro negacionismo do seu presidente, a pandemia está correndo solta e nem houve um intervalo entre a primeira e a segunda onda.

A China – e eu não estou nem um pouco preocupado se ela é comunista, socialista ou capitalista – controlou a doença com eficiência, mesmo tendo uma população de 1,4 bilhão de pessoas. Além disso, retomou o crescimento econômico e está à frente na produção da tão sonhada vacina.

“Quando vires a barba do teu vizinho arder, põe a tua de molho”, ensina o ditado antigo. A Europa está nos ensinando como não fazer as coisas: relaxou durante o verão agora vai sofrer no inverno. Desta triste experiência só uma coisa pode ser aproveitada. Diante do surto no Reino Unido os responsáveis pela vacina da Universidade de Oxford, parecem dispostos a acelerar os trâmites para aprovação do imunizante.

Este novo surto deveria também servir para o nosso Presidente abandonar definitivamente a absurda ideia de que esta doença não é grave. Mesmo porque o Ministro da Saúde, General que reproduz, sem reflexões, as palavras do Capitão, passou quatro dias internado com a Covid-19. Só que, para quem não está disposto a aprender, evidências não contam. Para esses, cento e sessenta mil mortos são um preço muito barato a ser pago pela reeleição. Derrotar o governador Doria é muito mais importante que salvar vidas através da vacina.

O Brasil está caminhando lentamente para a diminuição dos contagiados e mortos pela Covid, mas nem de longe a luta está ganha. Basta um descuido para reproduzirmos aqui, tudo o que está acontecendo na Europa. Cabe aos governadores e prefeitos - autorizados que foram pelo Supremo, mesmo a contragosto do Presidente – manter a epidemia sob controle até a chegada da vacina.

RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário e escritor


Autor: Renato de Paiva Pereira


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