Jornal da Notícia
  Quinta-Feira, 23 de Julho de 2026

Muvuca denuncia, “Pedro Taques recebeu dinheiro sujo na campanha”




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O jornalista e blogueiro José Marcondes, o'Muvuca' voltou a divulgar nota a imprensa de Mato Grosso, onde faz acusações contra o senador Pedro Taques, segundo a matéria, parte da campanha do Senador teria sido financiada com dinheiro de uma empresa que possui vínculos em obras super faturadas, na semana passada, Muvuca admitiu que havia sido derrotado por Taques porém agora volta a carga contra o Senador.

Veja a matéria do jornalista José Marcondes, o 'Muvuca' na integra;

Pedro Taques recebeu dinheiro de empresa que superfaturou obra - (Dinheiro de corrupção)

* "Nós temos que resistir à corrupção, porque ela mata e rouba o futuro de uma geração" (Pedro Taques - Senador PDT-MT)

* "Quem recebe doação eleitoral de empresa ficha suja, recebe dinheiro sujo e é tão ficha suja como a empresa que o financiou”. (José Marcondes 'Muvuca' - Jornalista-MT)

Para quem diz ter como principal bandeira a luta pela ética e pela moralidade pública, é, no mínimo, muito estranho constatar junto ao Tribunal Superior Eleitoral que o então candidato Pedro Taques tenha recebido, em 2010, financiamento da empresa Agrimat Engenharia industria e Comércio LTDA, empresa que responde por ação de improbidade administrativa por superfaturamento de obras.

Vamos aos fatos:

Em 1998, Jayme Campos, prefeito de Várzea Grande no segundo mandato, firmou um convênio (PG 117/98-00) com o Ministério dos Transportes para a adequação das rodovias BR 070/163/364/MT na travessia urbana da cidade de Várzea Grande, na avenida Ulisses Pompeu de Campos, entre os quilômetros 520,50 e 522,80.

Até aí, aplausos para Jayme Campos, se não fosse o fato de que tal obra havia sido superfaturada em mais de 1,5 milhão de reais (valores atualizados).

A descoberta da maracutaia só foi possível graças à iniciativa da Controladoria Geral da União (CGU) em adotar, por determinação do presidente Lula, o Programa de Fiscalização à partir de sorteiro públicos para verificar a aplicação das verbas federais nos estados, municípios, órgãos e entidades públicas.

Em 2005, por ocasião do 17º sorteio, dois municípios mato-grossenses foram 'contemplados': Paranaíta e Várzea Grande.

Em Várzea Grande os técnicos da CGU detectaram inúmeras irregularidades, sendo que a mais grave foi o convênio com o Ministério dos Transportes, causando um prejuízo ao erário pela existência de sobrepreço de R$ 448.223,31 (valores da época), auferidos pela cobrança de preços muito acima dos estabelecidos na tabela do Departamento de Viação e Obras Públicas (DVOP).

Por exemplo, no fornecimento e transporte de cimento asfáltico CAP 20 (912,60 T), a empresa cobrou o valor unitário de R$ 634,48 - enquanto que o preço na tabela do DVOP, pelo mesmo serviço, era de R$ 182,51. Já no fornecimento e transporte de emulsão asfáltica RR - 2C (22,5 T), a tabela do DVOP informava o preço de R$ 273,82, mas o valor pago pela prefeitura foi de R$ 698,60.

Para quem tem curiosidade em conhecer mais detalhes sobre as irregularidades constatadas, poderão acessar o relatório completo da Controladoria da União no endereço:http://sistemas.cgu.gov.br/relats/uploads/17-MT-Varzea_Grande.pdf

À partir do relatório da CGU, o Ministério Público Federal, em 2009, no bojo da "Operação Moralidade", ingressou na Justiça com uma Ação Civil de Improbidade Administrativa (Processo: 22827-70.2009.4.01.3600, 2ª Vara Federal/MT), contra a referida empresa, o atual senador Jaime Campos, o diretor-geral Maurício Hasenclever Borges e os engenheiros Francisco Augusto Pereira Desideri, chefe da Divisão de Construção, e Alfredo Soubihe Neto, diretor de Engenharia Rodoviária, todos do antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER).

Na ação o MPF solicitou a indisponibilidade de bens imóveis do ex-prefeito e dos dirigentes da empresa Agrimat Engenharia Indústria e Comércio LTDA, no valor de R$ 1.595.343,12 (Um milhão, quinhentos e noventa e cinco mil, trezentos e quarenta e três reais e doze centavos).

O MPF pediu também o ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou valores acrescidos ILICITAMENTE ao patrimônio, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de 5 a 8 anos, pagamento de multa até duas vezes o valor do dano e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, pelo prazo de cinco anos.

Como se não bastasse, em 2012, o MPF, na pessoa da procuradora Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani, ingressou com uma Ação Civil Pública (Processo: 1517-22.2012.4.01.3600), contra o ex-prefeito de Várzea Grande, atualmente colega de Senado de Pedro Taques, inclusive em processo de conversações para futuras alianças em 2014, assim como também, contra Juarez Toledo Pizza - Presidente de Licitação do município na gestão de Jayme Campos e Luiz Celso Morais de Oliveira - então Secretário Municipal de Viação, Obras e Urbanismo do município, as empresas Agrimat Engenharia e Geosolo Engenharia, bem como seus representantes, respectivamente: Edgar Teodoro Borges e José Mura Júnior.

Na ação, os réus são acusados de lesar o município de Várzea Grande em R$ 866.837,21 (valores da época), por irregularidades cometidas nas obras de pavimentação da Avenida 31 de Março.

Segundo consta na ação, para o convênio 1.185/2001-MI, foram repassados ao município de Várzea Grande, o montante de R$ 1.157.146,74. Já para o convênio 560/2002 o Ministério da Integração Nacional destinou R$ 2.245.774,09 para a cidade. Porém, conforme a ação do MPF, os acusados, montaram um verdadeiro esquema de fraude, tanto na realização dos procedimentos licitatórios, quanto na execução dos contratos e causaram um prejuízo aos cofres públicos na ordem de R$ 866.837,21.

Entre as irregularidades detectadas constam: falta de publicidade no Diário Oficial da União, - O que de certa forma ajudou para ter apenas uma empresa concorrendo ao certame; Ausência de tabela de custos; aditivo contratual de mais de R$ 10 milhões, sem anuência do Ministério da Integração; Ausência de comprovação de despesas; Licenciamento ambiental vencido; Pagamento sem respaldo contratual; entre outras.

Coincidência ou não, a doação da AGRIMAT a Pedro Taques foi realizada o dia 20 de setembro/10, exatamente 5 dias após um fato pitoresco amplamente divulgado pela mídia e no próprio site do então candidato ao senado: Um encontro, na região do Cristo Rei, Várzea Grande, entre os candidatos Júlio Campos (Irmão de Jayme Campos) e Pedro Taques, ocasião em que o senador parou a carreta, desceu e, os dois se cumprimentaram efusivamente, e depois tendo havido cochichos entre ambos. Repórteres que acompanhavam o evento e o próprio site de Pedro Taques - que também se dizia contra as oligarquias - noticiaram o fato.

Será que o assunto tão misterioso não teria sido 'ajuda' para a campanha? O certo é que até hoje, ambos se negam a revelar o teor dos "Segredos de liquidificador" daquela tarde de campanha, embora, coincidentemente, 5 dias após o episódio, havia um depósito na conta de Pedro Taques no valor de R$ 20 mil reais, pela empresa fraudulenta ligada aos Campos.

Assim, aplicando a 'Teoria dos frutos da árvore envenenada' (The fruits of poisonous tree), advinda do direito norte-americano e incorporada ao direito pátrio, cujo nascimento deriva de um preceito bíblico de que a árvore envenenada não pode dar bons frutos, podemos concluir que as doações recebidas pelo então candidato a senador Pedro Taques, provenientes de uma empresa que praticou corrupção através de superfaturamento de obra pública, é dinheiro sujo e, como tal, 'contamina' de morte a campanha do 'ético' senador.

Na ampla e modesta opinião dos brasileiros e mato-grossenses, e na minha em particular, quem recebe doação eleitoral de empresa 'ficha suja', recebe dinheiro sujo e é tão 'ficha suja' quanto a empresa que o financiou. Daí, parlamentares que tiveram suas campanhas abastecidas com dinheiro de empresas que praticaram superfaturamento de preços em obras públicas e vivem estufando o peito para falar em ética e moralidade, agem como o ladrão que furta e, quando é pego furtando, sai correndo pelas ruas gritando "Pega ladrão!".

É certo que em 2005, quando a fiscalização da CGU estava investigando os convênios da Prefeitura de Várzea Grande, o então procurador Pedro Taques já havia sido transferido para atuar em São Paulo. Entretanto, com seu faro afiado 'contra a corrupção e desmandos públicos' e com sua preocupação quanto aos destinos do estado de Mato Grosso, certamente tomou conhecimento do relatório da CGU, que apontava o superfaturamento da obra, pela empresa Agrimat, sua doadora de campanha.

Ademais, em 2009, quando seus colegas do MPF ingressaram com a ação, esse fato teve grande repercussão na imprensa local, quando Pedro Taques já se apresentava como um pré-candidato em MT, sendo também um período pré-eleitoral onde o então ex-prefeito Jayme Campos já era um 'Respeitado' Senador da República.

Resta provado neste capítulo, portanto, o financiamento parcial da campanha do senador Pedro Taques, com dinheiro sujo da corrupção. E mesmo que negue o conhecimento destas ações contra tal empresa, os fatos são estes.

OBS. O dono da empresa Agrimat é o Sr. Edgar Teodoro Borges, o qual também é vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso - FIEMT.

P.S.¹ No próximo capítulo, revelaremos o uso indevido da máquina pública judicial em favor da campanha do então candidato a senador, José Pedro Gonçaves Taques.

P.S² Algumas coisas têm cura, já o caráter - que é moldado na infância - de alguns políticos que não medem escrúpulos para atingirem seus objetivos de poder, não!

José Marcondes 'Muvuca' é jornalista em MT.


Autor: Jornal da Noticia com Assessoria


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