A expressão 'não vale um pequi roído' nunca esteve tão na boca do povo. Após aparecer em um outdoor crítico ao presidente Jair Bolsonaro em Palmas, o termo acabou indo parar na lista de mais procurados na internet.
Quem mora no Cerrado brasileiro não precisou de maiores explicações para entender porque a expressão foi considerada ofensiva a ponto do ministro da Justiça pedir para que a Polícia Federal abrisse uma investigação, mas para quem não está familiarizado com o fruto, ficou a dúvida: afinal de contas, o que é um pequi roído e porque isso pode ser considerado uma coisa ruim?
Achando a confusão cômica, a influencer de Palmas Musa Dumont resolveu fazer um vídeo explicativo. Ela mostra em detalhes a forma mais segura de se comer um pequi e como o fruto fica após ser roído. "Teve um vídeo que eu fiz um tempo atrás sobre a treta do pequi entre Tocantins, Goiás e Minas Gerais, pra ver quem ficaria com o patrimônio do pequi", explica a influencer, se referindo a disputa dos estados sobre o título de capital do pequi.
"Eu percebi nos comentários, muita gente perguntando o que é um pequi, ai surgiu a ideia, eu roterizei rapidinho e fiz o vídeo. Deu um trabalho abrir aquele pequi [com a faca no vídeo]". Musa Dumont conta que viu o outdoor na época da instalação e apenas achou graça.
ENTENDA - A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar um sociólogo e um empresário que seriam responsáveis pela publicação de dois outdoors que comparavam o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) a um ‘pequi roído’. As peças foram instaladas em Palmas em agosto do ano passado. O pedido de investigação foi feito pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, André Luiz de Almeida Mendonça, para apurar suposto crime contra a honra do presidente da república.
Na época das publicações, o sociólogo Tiago Costa Rodrigues, de 36 anos, fez uma vaquinha online para publicar as peças nos outdoors. Uma das publicações dizia: “Cabra à toa, não vale um pequi roído. Palmas quer impeachment já”. Na outra placa estava escrito: “Aí mente! Vaza Bolsonaro, o Tocantins quer paz”. Na época o caso chegou a ser denunciado à Polícia Federal, mas acabou sendo arquivado. O arquivamento foi comunicado ao ministro em outubro do ano passado e ao próprio presidente da república.
O documento assinado pelo ministro afirma que as publicações tiveram grande repercussão negativa pela atribuição da mensagem à sociedade tocantinense. "Diante dos fatos narrados, requisito ao diretor-geral da Polícia Federal que adote as providências para abertura de inquérito policial com vistas à imediata apuração de crime contra a honra do presidente", diz trecho do documento. O caso segue sendo investigado pela PF de Brasília e os dois investigados já foram ouvidos em depoimento.
Autor: Redação AMZ Noticias