Quinta-Feira, 23 de Julho de 2026

Empresário chama Bernardo do Vasco da Gama de "estelionatário"




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Empresário do ramo alimentício, Andrews Moraes criticou duramente o meia Bernardo, que se envolveu em uma confusão e foi torturado no Complexo da Maré na última semana. Segundo o comerciante do bairro da Ilha do Governador, o jogador do Vasco pediu R$ 40 mil emprestados em janeiro de 2012 e não quitou o débito até o momento.

“Ele chegou até a mim por um amigo em comum, que sabia que eu tinha esse dinheiro na conta e que sou amigo de vários jogadores. Ele veio, pediu o dinheiro e chorou por 10 minutos na minha frente. Nós fomos até o banco e ele assinou os cheques na frente do meu gerente. Quando chegou a época de me pagar, ele não atendeu mais o telefone. Na Ilha do Governador, o Bernardo tem fama de devedor, já deveu R$ 1 mil a DJ e queria aplicar um golpe de estelionato. É 171”, afirmou Andrews à Rádio Globo.

O empresário afirmou ter sido alvo de gozações pelo calote e assegurou a busca na Justiça para ser ressarcido pelo atleta do clube de São Januário.

“Foi feita a denúncia na Delegacia da Barra e lá o Bernardo responde por estelionato. Ele foi intimado a depor sobre esse caso e agora os cheques estão nas mãos da Polícia. Cansei, vamos entrar com a ação. Infelizmente, o Bernardo é um caso perdido e, se o Vasco e os empresários não tomarem atitude, veremos um circo dos horrores acontecer”, encerrou.

O mês de abril ainda não terminou, mas dificilmente será esquecido pelos torcedores do Vasco. Ao contrário das tradicionais conquistas do clube de São Januário, as páginas foram ocupadas por episódios delicados e que complicam ainda mais o Cruzmaltino em meio aos esforços desesperados para resolver mesmo que parcialmente a crise financeira. A tortura aplicada por traficantes do Complexo da Maré ao meia Bernardo foi até o momento o último acontecimento de um “abril negro” para o Vasco. O período também marcou o doping de Carlos Alberto, a venda de Dedé para o Cruzeiro e até uma invasão de ratos ao estádio de São Januário.

O nome do jogador ocupa o noticiário com intensidade desde a última sexta-feira. Bernardo vai prestar depoimento na 21ª DP (Bonsucesso) nos próximos dias. Na ocasião, ele terá de esclarecer as informações levantadas pelos envolvidos na investigação. No relatório da Polícia, o meia do Vasco foi amarrado, torturado e atingido por socos e pontapés. Ele teria se relacionado com a mulher de um dos líderes do tráfico no Complexo da Maré, Marcelo Santos das Dores, conhecido como Menor P. A mulher que se envolveu com Bernardo é Dayana Rodrigues, uma das namoradas do bandido.

De acordo com as primeiras informações dos agentes policias, Bernardo foi salvo pelo lateral Wellington Silva, do Fluminense, nascido e criado na comunidade. Ele pediu aos traficantes para que não matassem o companheiro, alegando que a retaliação seria pior, visto que o local ainda não conta com uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). O volante Charles, do Palmeiras, também estava presente.

Porém, Bernardo revelou a amigos que o jogador do Fluminense só apareceu no local após o desfecho do caso. O meia vascaíno descartou ter passado por um período de espancamento, mas confirmou que foi colocado em um carro pelos bandidos e sofreu tortura psicológica. O atleta foi ameaçado de morte e levou tapas no rosto. Ele está fora do Rio de Janeiro, passa bem e não apresenta sinais físicos de violência. Entretanto, está bastante assustado e teme retornar ao local de residência por causa de represálias.

Dayana levou cinco tiros nas pernas de acordo com os policiais. Dois disparos atingiram a mulher de raspão. Ela foi internada no hospital Souza Aguiar. Aquiles de Abreu Rodrigues, de 56 anos, pai da jovem, negou o relacionamento dela com Bernardo. O aposentado chamou o jogador de “covarde” e “safado” por ter confirmado a suposta mentira do envolvimento com Dayana frente aos bandidos do Complexo da Maré.

VASCO SABIA DA ROTINA DE BERNARDO EM FAVELA E POLÊMICAS: 'IA ESTOURAR'

O espanto gerado nos torcedores pelas revelações da Polícia dando conta de tortura e agressão envolvendo o meia Bernardo não tiveram a mesma reação no Vasco. Mesmo surpresos com a história ocorrida na madrugada da última segunda-feira, membros do clube já conheciam a rotina do jogador na comunidade do Complexo da Maré, suas recentes incursões ao local e a chance de se envolver em uma polêmica por conta do relacionamento que mantinha com traficantes e moradores. "É triste, não queríamos isso, mas sabíamos do risco. Demorou, mas ia estourar alguma coisa. Ele vinha frequentando os locais há algum tempo e estava com cara de problema".


Autor: UOL


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