Os dois advogados foram denunciados pelo Ministério Público Federal por terem desviados R$ 13,5 milhões, entre fevereiro e junho de 2012, conforme revelou HiperNotícias.
O acordo de pagamento dos recursos do governo de Mato Grosso para os beneficiários do extinto Bemat no fundo Centrus, caso colocado em prática, faria com que R$ 55,2 milhões fossem para o ex-liquidante Nelson Prawucki e advogado Newman Pereira Lopes, via empresa Agroconsulte.
O acordo de pagamento dos recursos do governo de Mato Grosso para os beneficiários do extinto Bemat no fundo Centrus, caso colocado em prática, faria com que R$ 55,2 milhões fossem para o ex-liquidante Nelson Prawucki e advogado Newman Pereira Lopes, via empresa Agroconsulte.
A explicação está em um ofício de outubro de 2012 que o HiperNotícias teve acesso, assinado pelo liquidante substituto de Prawucki, Walter de Carvalho Parente. Havia um percentual cobrado pelo serviço de intermediação, conforme acerto com o governo.
Os dois advogados foram denunciados pelo Ministério Público Federal por terem desviados R$ 13,5 milhões, entre fevereiro e junho de 2012, conforme revelou reportagem ontem do site.
Advogados foram denunciados pelo Ministério Público Federal de MT
“O ex-liquidante Nelson Prawucki fez acertos (advogados e empresa de intermediação) que resultaram num custo total ao exorbitante percentual de 65% do valor a ser recebido”, consta no ofício. Ou seja, de parcela combinada do governo para o fundo, R$ 4,722 milhões, o Centrus só recebia R$ 1,652 milhão.
“Se o negócio houvesse continuado conforme fora planejado, do total de R$ 85.000.000,00 que seria pago pelo Estado, o Centrus ficaria apenas com o montante de R$ 29.750.000,00”, descreve Parente no ofício aos beneficiários.
“Valor esse que mal daria para pagar o que era devido aos participantes assistidos a título de reserva matemática. E o que era pior: R$ 55.250.000,00 sumiriam pelo ralo”.
ACORDO
Na negociação entre o ex-liquidante e o governo para o Centrus receber o patrimônio segurado no fundo estava previsto que o governo do Estado teria que pagar R$ 85 milhões. Entre fevereiro e junho de 2012, foram desviados R$ 13,5 milhões de cinco parcelas repassadas pelo governo, no valor individual de R$ 4,7 milhões.
O acordo para o fundo receber o recurso foi feito em 9 de novembro de 2011 com o governador Silval Barbosa (PMDB) e a Procuradoria Geral do Estado e autorização legal da Assembleia Legislativa. Após denúncia dos desvios, o governo estadual suspendeu o pagamento das parcelas.
Mas, o plano de benefícios dos assistidos, o ex-servidores públicos, continou e precisou ser pago. Cerca de 450 pessoas estão nessa situação. Eles têm direito de receber dinheiro segurado no fundo de pensão.
Em entrevista à reportagem nesta terça-feira, Parente acrescenta ainda que não tem nada a informar, apenas atua na parte administrativa.
SITUAÇÃO DOS SERVIDORES
No ofício que ele repassou aos beneficiários em outubro de 2012, relata que desde junho de 2012, quando tomou posse tem feito reuniões com o governo para que o Centrus receba o patrimônio financeiro a que tem direito.
“Participamos de várias reuniões com autoridades governamentais. Com tenacidade, procuramos sensibilizar o governo no sentido de que fosse dada continuidade ao pagamento das parcelas remanescentes”, conta no ofício de outubro de 2012.
Ele ressalta ainda que entre os argumentos foram relacionados “a precária situação dos participantes”, “pessoas de idade avançada”, que “têm baixa expecativa de vida, não chegam a dispor de recursos financeiros à sobrevivência”.
OUTRO LADO
Nos dois últimos dias a reportagem tem procurado os dois advogados denunciados pelo Ministério Público Federal, mas eles não foram encontrados.
Autor: HiperNoticias