Sexta-Feira, 24 de Julho de 2026

Dançar e cantar para os mortos é tradição há 300 anos em cidade do interior do Tocantins




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Durante congada, manifestação popular, moradores percorrem ruas de Ipueiras para festejar. Ao invés de tristeza, Dia de Finados é marcado por alegria, preces e missa.

O Dia de Finados é marcado como um dia de reflexão em todo o país. Mas não em Ipueiras, região central do Tocantins. Por lá, moradores mantém a congada, festa que perdura há 300 anos. Durante a manifestação popular, a comunidade canta e dança para homenagear os mortos.

Na manhã desta terça-feira (2), homens e mulheres, chamados de congos, saíram às ruas da cidade para manter a tradição passada de geração a geração. Eles percorrem cerca de 10 km para reverenciar aqueles que já se foram. No cemitério da cidade, eles visitam os locais onde estão os parentes, acendem velas e deixam adornos. A missa é o ponto final de uma união de religiosidade e tradição.

"É uma história muito emocionante. Em relação o senhor Marcelino, um grande produtor da região, lavrador na época, sentia muita falta de chuva na região. E ele com muita fé, com muita devoção fez um voto para as almas santas benditas. Nossos antepassados contavam que quando ele veio no cemitério, com os congos, que quando chegou já na cidade ele chegou com chuva", explicou o coordenador da congada, Melquiades de Souza Silva

A festa é realizada há mais de três séculos nas fazendas da região. Os descendentes dão continuidade ao festejo religioso. "Eu já nasci dentro dessa tradição, dessa cultura. Para nós também significa um ato de fé", afirma o servidor público Jucelino Rodrigues da Silva.

"Quando eu nasci já existia essa data de hoje, tradição entendeu? Aí a gente vem comemorar, rezar. Tem a missa aqui no cemitério, a gente acende as velas para os parentes da gente, para os amigos, aí sempre assim continuando essa tradição. Vai passando dos mais velhos para os mais novos e a gente sempre continuando", afirma o morador Augusto Lacerda.

"Uma tradição de fé. O dia de finados a gente sente só saudade, tristeza não. Tristeza a gente deixa no passado, agora saudade a gente tem. Saudade do meu pai, da minha mãe que é sepultada aqui dentro, tio, muitos parentes, a gente sente saudade sim. E qualquer saudade a gente cobre com alegria", finaliza Melquiades.


Autor: AMZ Noticias com G1


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