É incrível a falta de bom senso com saúde publica no estado de Mato Grosso, além de inúmeras denuncias sobre perseguição a funcionários, excesso de desmandos no setor, falta de profissionais, o mais recente episódio envolveu a irresponsabilidade de servidores da Secretaria de Saúde do estado, na perda de centenas de medicamentos da farmácia pública do estado, cujos prazos de validade venceram sem sequer terem sido distribuídos aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso.
Os deputados estaduais Ademir Brunetto, (PT) e Dilmar Dal’ Bosco, (DEM) se manifestaram sobre a situação no plenário da Assembléia Legislativa.
Para Brunetto “é muito triste ver nossa população, que sofre com doenças crônicas e que precisam destes medicamentos continuamente, ficarem mendigando por um direito seu”, disse o deputado em seu pronunciamento.
O petista destacou que centenas de medicamentos irão ser dispensadas causando um grande prejuízo aos cofres públicos. “Os remédios não podem ser jogados em lixo comum. O governo será obrigado a respeitar as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, sabendo que isso custará mais ao contribuinte”, enfatizou.
A indignação de Brunetto foi maior ainda ao saber que o governo estadual estava ciente da situação dos remédios vencidos pelo menos desde abril, quando venceu o segundo lote. Na época foi afastado do cargo pelo secretário de Saúde, Mauri Rodrigues, o então coordenador de assistência farmacêutica responsável pela gestão da farmácia pública.
Sugerindo alternativas para que episódios como esse não se repita, o parlamentar indicou um maior controle e constante monitoramento dos medicamentos. "Até parece uma maldição estarmos constantemente na mídia nacional sendo mostrados pelos problemas da saúde no estado. O governo precisa reavaliar as medidas administrativas antecipando os fatos. O que não podemos é admitir um desperdício de dinheiro sem tamanho, isso é zombar da sociedade".
A irresponsabilidade foi também duramente criticada pelo deputado Dilmar Dal’ Bosco (DEM) durante sessão extraordinária realizada na Assembleia Legislativa, na quarta-feira (29).
Na tribuna, o deputado afirmou que o caso é inadmissível e que a SES terá que arcar com as consequências, de modo a disponibilizar o mais rápido possível os medicamentos perdidos aos postos de saúde dos municípios no interior de Mato Grosso.
“O Estado tem 141 municípios e são nessas cidades que os medicamentos devem estar e não dentro da Secretaria de Saúde. No momento da compra, a SES tem que requisitar que esses remédios sejam encaminhados para as cidades” relatou.
Os medicamentos vencidos são de alto custo e deveriam ser destinados ao tratamento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com doenças crônicas, como câncer, problemas neurológicos e outras patologias de maior gravidade.
O deputado lembrou que a população do Estado, como as dos municípios de Campinápolis, Cáceres, Sorriso, Aripuanã e Sinop clamam por esses medicamentos e, infelizmente, foram obrigados a ver tantos deles serem jogados fora.
“A secretaria de Saúde precisa ter mais seriedade e responsabilidade com as pessoas. A população clama por medicamentos e a reposta do Estado será a de jogar esse pedido no lixo?”, questionou o democrata.
A farmácia é administrada por uma Organização Social, uma das famosas OSS, contratadas pelo Governo Silval Barbosa, no caso o Instituto Pernambucano de Assistência e Saúde (IPAS).
Por meio de nota, a assessoria de imprensa da entidade informou que a perda de medicamentos ocorreu devido à compra de quantidades acima da necessidade de determinados rótulos, os quais acabaram sobrando em virtude da “impossibilidade, ou falhas em fazer permutas ou doações daqueles produtos com risco de vencimento”.
Segundo o IPAS, não estão na competência da instituição procedimentos como aquisição, gerenciamento de permutas e trocas de medicamentos, restando como sua tarefa apenas o gerenciamento do material disponibilizado pela SES na farmácia de alto custo. A entidade ainda se colocou à disposição da AGE a fim de contribuir no esclarecimento das responsabilidades neste caso.
O Ministério Público Estadual (MPE), por meio do promotor Alexandre Guedes, iniciou uma investigação para averiguar o tamanho do prejuízo aos cofres públicos causados pela perda de medicamentos e identificar os responsáveis. Já a Secretaria de Saúde instaurou uma sindicância para apurar o fato.
O democrata adverte, no entanto, que o caso também deve ser investigado pela Polícia e que os culpados precisam pagar pelo erro. Dal’ Bosco disse ainda que supostamente o responsável seja apadrinhado. Dilmar também não descarta a possibilidade de ter algo por de trás do caso.
“A Polícia tem que entrar no meio da investigação, aí tem apadrinhamento, algo por de trás e interesse pessoal” pontuou Dal’ Bosco.
Autor: Jornal da Noticia com Assessoria