Cinquenta e um policiais civis cumpriram na manhã da quinta-feira (27.06), 11 mandados de prisão preventiva e 10 buscas e apreensão, na operação “Abadom”, deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes (DRE), da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, para prender fornecedores e distribuidores de drogas que atuam na Grande Cuiabá.
O delegado João Bosco Vieira e sua esposa, uma investigadora, foram presos na operação pela Corregedoria Geral da Polícia Civil. Cinco detentos da Penitenciária Central do Estado (PCE) terão ainda as ordens de prisão cumpridas dentro da unidade prisional, em Cuiabá.
As investigações iniciaram há 7 meses com a prisão em flagrante de uma pessoa na rodoviária de Várzea Grande. A partir desse flagrante a Delegacia de Entorpecentes foi reunindo provas que levaram a identificação da quadrilha desarticulada na quinta-feira.O nome “Abadom” refere-se à ruína e destruição que as drogas causam nos usuários e família.
Delegado protegia a quadrilha do tráfico de drogas de investigação policial.
A Polícia Civil chegou ao envolvimento do delegado João Bosco Vieira e sua esposa por “incidente”, durante a investigação sobre quadrilha envolvida em tráfico de drogas. João Bosco foi preso pela Operação Abadom nesta quinta-feira e responde a processo administrativo na Corregedoria.
De acordo com a delegada Alana Cardoso, durante depoimento de envolvidos no tráfico presos no mês de março, eles citavam que sofriam extorsão de policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Judiciária Civil.
No entanto, segundo a delegada, não era possível que a DRE estivesse envolvida já que esta realizava a investigação. Assim, foi acionada a Corregedoria para apurar o caso paralelo à investigação do crime de tráfico que ainda continua.
Delegado João Bosco atuou em diversos casos polêmicos, como do caso da advogada Ludmilla Rodrigues A Corregedoria confirmou o envolvimento do delegado e da investigadora.O delegado, no entanto, nega participação, conforme relatou a alguns veículos de comunicação.
Ele está na Polinter e seu celular foi retirado por policiais, após os contatos. A reportagem ligou para ele, mas não conseguiu falar.
As autoridades ainda têm dúvida sobre o enquadramento dos crimes do delegado e da investigadora. Ainda não se sabe se se trata de corrupção passiva (devido acusação de receber dinheiro dito por membros investigados) ou se peculato (crime de servidor público no cargo em função de vantagem em dinheiro, bens, uso do cargo fornecida na facilitação criminal).
“Os dois teriam aderido ao grupo criminoso por isso estão sendo indiciados por associação ao tráfico. Além da corrupção, se tornaram parte do grupo e e asseguravam segurança e proteção tanto contra a investigação pela DRE quanto dos outros bandidos”, afirma a delegada Alana Cardoso.
O secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, e o delegado geral da corporação, Anderson Garcia, não confirmaram o nome do delegado e da esposa investigadora. Só divulgaram iniciais. A alegação é de que o processo corre em segredo de Justiça.
Conforme Bustamente, o delegado e sua esposa passam a responder por dois processos paralelos, sendo um administrativo na Corregedoria e criminal. “Eles responderam como servidores e em ambos os processos serão usadas as mesmas provas materiais. Caso condenados, podem receber uma advertência como também perder a função com exoneração”, finaliza.
Autor: Jornal da Noticia - Hipernoticias