O renomado jornalista Eduardo Gomes de Andrade, um dos mais antigos em ação com 05 decadas de profissão, e profundo conhecedor da região Araguaia de Mato Grosso. publicou uma matéria em seu blog pessoal onde questiona a posição do INDEA- Instituto de Defesa Agropecuária do Estado Mato Grosso no escândalo de àreas arrendadas para criação de gado na Terra Indígena Marãiwatsédé.
Segundo Eduardo Gomes, o silêncio foi sepulcral no Palácio Paiaguás e na Assembleia Legislativa, na quinta-feira, 17. Nenhum ato ou palavra sobre a Operação Res Capta, da Polícia Federal (PF) no cumprimento de mandados da Justiça Federal para desbaratar uma ação criminosa recorrente que aluga e arrenda em contratos verbais de gaveta pastagens na Terra Indígena Marãiwatsédé do povo Xavante.
Diante dessa grave omissão do governador Mauro Mendes (UB) que permaneceu de braços cruzados como se tudo estivesse na mais perfeita ordem, e de igual postura – ou falta dela – pela Assembleia cobro resposta do Estado de Mato Grosso na esfera de sua competência nesse vergonhoso caso.
À Imprensa da capital, tradicionalmente silenciosa sobre escândalos que envolvem o poder, não faltaram detalhes sobre Res Capta, no espaço editorial que a realidade lhe assegura.
Segundo o jornalista aguardou até o meio dia desta sexta feira 18, para a cobrança ou cobranças que ora faz, mas essa paciência estratégica não me impediu de postar ontem um artigo sobre a grande liderança de Marãiwatsédé, o cacique Damião Paridzane, um dos alvos da operação, e que segundo a PF – com base em depoimentos, cruzamento de dados bancários e outros procedimentos investigativos.
Seria o grande beneficiário financeiro com a receita oriunda da abertura das invernadas à boiada, que seria em torno de 70 mil cabeças bovinas de mamando a caducando, naquela terra indígena com 165 mil hectares com grande antropização, diz ele.
Não será difícil a conclusão do inquérito da PF que apura o caso. A materialidade é visível sobre quatro patas, nos peões que cuidam do gado, na movimentação financeira dos envolvidos e numa série de outros componentes da peça investigativa. Essa parte é bem abordada pela Imprensa.
Porém, além disso, há o envolvimento do governo estadual com aquele crime recorrente, quer seja por omissão, conivência, incompetência ou tudo isso no mesmo balaio. O governo estadual ao qual me refiro é o Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) que executa a política sanitária animal e consequentemente a fiscaliza.
Cabe a pergunta: onde estava o Indea que não tinha controle sobre 70 mil cabeças naquela terra indígena? – número referencial de momento segundo a PF, mas que poderá alcançar um quantitativo muito maior se recuarmos a 2013, quando efetivamente Damião assumiu Marãiwatsédé em nome de seu povo.
Quem emite guia para o trânsito animal? Quem elabora as planilhas de vacinação obrigatória contra a febre aftosa em campanhas de cobertura vacinal etárias e de mamando a caducando?
O Indea seria omisso? Conivente? Incompetente? Mauro Mendes não pode fugir desse questionamento. É dele o bônus do poder e dele também são os ônus. Imaginei que ontem o governante exoneraria a presidente do Indea, Emanuele Gonçalina de Almeida e os responsáveis por aquele órgão na sua Regional em São Félix do Araguaia, que tem jurisdição regionalizada sobre Marãiwatsédé que ocupa área naquele município e estende-se a Alto Boa Vista e Bom Jesus do Araguaia.
Gomes diz que imaginou ainda que o bilhete azul também alcançasse as unidades locais do Indea em Alto Boa Vista e Bom Jesus do Araguaia. No entanto, o Palácio Paiaguás não teve postura republicana. Nem questiono o silêncio da Assembleia, pois a mesma – com a exceções de praxe – sempre faz o jogo do governador independentemente de quem exerça o cargo.
Boiada em Marãiwatsédé é algo grave. Espero que nos limites de sua competência o Ministério Público Estadual apure responsabilidades sobre esse crime recorrente, que poderá ter causado evasão fiscal, colocado em risco a política sanitária animal e, num cenário não descartável, envolver figuras com prevaricação e concussão.
Não se pode desconsiderar que uma boiada assim, mesmo distribuída em pastagens distintas pode ser vista por pilotos e passageiros da aviação executiva, que na área de Marãiwatsédé é intensa, inclusive transportando servidores estaduais e autoridades do governo, incluindo o governante Mauro Mendes. Impossível que nenhum cidadão, nos ares, não tenha enxergado a utilização de parte daquela terra indígena para a pecuária extensiva.
Ninguém em sã consciência pode se deixar convencer de que as planilhas com os resultados das campanhas de vacinação contra a febre aftosa não tenham detectado anomalias sobre o deslocamento de tamanho rebanho bovino para Marãiwatsédé.
Que o Ministério Público Estadual aja com o devido rigor e a urgência necessária nesse caso. E que o Ministério Público Federal (MPF) cobre esclarecimentos ao Ministério do Meio Ambiente, ao Ibama e ao Instituto de Pesquisas Especiais (Inpe) sobre a omissão de informações dos dados apurados por satélites a serviço de Inpe, que necessariamente teria que informar sobre a presença de bovinos na terra indígena em questão.
Eduardo Gomes lembrou de outro fato, onde resume com um exemplo para fundamentar minha sugestão para a exoneração de chefias no Indea. Em 2005 a Policia Federal desencadeou a Operação Curupira, que em Mato Grosso levou figuras coroadas para a cadeia.
Um dos presos foi o ex-deputado estadual Moacir Pires, que presidia a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema), antecessora da Secretaria do Meio Ambiente (Sema). Moacir não havia cometido crime; foi vítima do excesso de zelo do MPF, que pediu sua prisão ao então juiz federal em Cuiabá Julier Sebastião da Silva sob a seguinte argumentação: vigorava uma lei estadual que reconhecia a existência do bioma mata de transição, que era uma área de amortecimento entre o cerrado e a floresta.
Moacir expedia licenciamento ambiental pra atividade em tal bioma, mas o governo federal não reconhecia a transição como bioma. Cumprindo a lei Moacir foi privado de liberdade. Amigos de Moacir pediram ao governador Blairo Maggi que não o exonerasse – havia pressão nesse sentido – mas que aceitasse seu pedido de demissão. Blairo o exonerou.
O ato do governador Blairo Maggi não foi simpático, mas ele o praticou em nome da preservação da ética na esfera pública. Aguardo o próximo passo de Mauro Mendes e a resposta prática do Ministério Público sobre esse espinho que o Indea atravessou na garganta de Mato Grosso, finaliza o jornalista. A opinião de Eduardo Gomes de Andrade pode ser vista na integra em seu blog pessoal através do endereço https://www.blogdoeduardogomes.com.br/
Autor: AMZ Noticias com Evandro Carlos