Jornal da Notícia
  Quarta-Feira, 29 de Abril de 2026

Funai "de fiel depositária à suspeita de furtar bens de ex-produtores da Suiá Missú”




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Esse mês fiz uma importante viagem pelo centro da desintrusão da Suiá Missú, que hoje através de uma liminar do Juiz Sebastião Julier está reserva Marãiwatsédé, passei nos lugares onde moravam as pessoas que formavam o povoado de Estrela do Araguaia, charmosamente conhecido como Posto da Mata, referência ao posto de combustível que foi fundado na década de 70 para abastecer os caminhões que passavam pela BR 158 e não tinham um ponto de estadia no meio do nada na região que é banhada pela bacia do rio Araguaia por isso é conhecida como Norte Araguaia, ou simplesmente Vale dos Esquecidos, alcunha colocada pela Rede Globo através de uma reportagem tendenciosa em meados aos anos 2000 na cidade de Confresa, onde cobriu a prisão do médico e ex-prefeito Iron Marques Parreira, acusado de desviar dos cofres públicos 18 milhões de reais na época. 

 

Perceberam que em um parágrafo contei de forma introdutória quase toda a história da região? Bom, vamos agora aos fatos, ao passar no Posto da Mata, ao meu lado estava um companheiro que desde dezembro quando o fervor da desintrusão aplacou todos os moradores da região não tinha mais retornado ao Mato Grosso, juntos, olhando toda aquela destruição parecíamos não acreditar que naquele povoado alegre, de pessoas que sonhavam em construir um futuro bom para os seus filhos, de pessoas humildes e trabalhadoras, não havia mais nada, apenas um amontoado de tijolos, um amontoado de casas com poucas pilastras de pé, diante daquela imagem lembrei-me de uma cena que ainda jovem iniciante no jornalismo/comunicação me deixou muito frustrado, o ataque as torre gêmeas do World Trade Center nos Estados Unidos, o que logo em seguida desencadeou um ataque de guerra ao país mulçumano do Afeganistão, as imagens que vinham de lá através das agências internacionais de notícias faziam-me estremecer, ficava horas com uma Revista Veja, Istoé e Época nas mãos lendo as reportagens e vendo os destroços, que geravam dentro de mim remorso de ter nascido ser humano que diz ser racional, ao ver o Posto da Mata destruído recordei-me das imagens de guerra, onde milhares de “inocentes” morreram. 

 

Mas vêm cá, vocês sabem por que inocentes morreram no Afeganistão? Bom, lá as pessoas morreram por que a família Bush tinha interesse no petróleo, e usaram o ataque como pretexto para conseguir abocanhar o milionário negócio que vem do subsolo e que gera milhões de subsídios para quem o explora. E aqui na Suiá Missú, qual foi o motivo de uma guerra, onde milhares de inocentes tiveram que deixar suas casas e hoje se alojam em barracos de lonas as margens da BR 158 ou em favelas criadas nas cidades circunvizinhas, além da favela indígena criada na reserva Marãiwatsédé, onde até agora temos notícias de dezenas de mortes de crianças e idosos por desnutrição? 

 

Conseguiram responder? Se não, aqui vai uma síntese do que realmente aconteceu e que motivou toda essa guerra, da mesma forma que aconteceu no pequeno Afeganistão, aconteceu e acontece aqui na Suiá Missú, os motivos são os mesmos, somente não é petróleo, pode ser nióbio, pode ser calcário, pode ser arrendamento de terras, pode ser qualquer outra coisa, mas o interesse final é o mesmo “dinheiro”, ou simplesmente subsídio. 

 

No Posto da Mata, destruíram, casas, escolas, posto de saúde, comércio e tantos outros investimentos, isso nos dá um remorso danado, mas esse tema será descrito com mais propriedade no próximo artigo da série Suiá Missú, o Davi adormecido pelo gigante.

  

Continuei a viagem ao centro da Suiá Missú, passei em propriedades que antes eram autossustentáveis, que geravam empregos e subsídios para a nação através de impostos, notas de vacinas e vendas de produtos eram geradas e o Estado ganhava seu imposto, Estado este que não fez nada pelo povo, governo este que com medo de seu rabo de raposa ser cortado, pois tem mais dívida no cartório que muitos engravatados de Brasília, não é mesmo conterrâneo?

  

O que encontrei em muitas propriedades é o que me motivou a escrever este artigo, em todas as propriedades que passei, sem exceção encontrei destruição e o que me deixou ainda mais contristado foi ver que as pessoas que deixaram para trás suas coisas, pois não houve tempo para retirar, foram furtadas, isso mesmo a Fundação Nacional do Índio que é “fiel depositária” da área e que deveria prender os bens e depositar em juízo até que o processo seja tramitado e julgado, agora é suspeita de furto, pois ela deveria cuidar para que ninguém entrasse na área para furtar os bens deixados para trás, mas parece que ela foi a primeira a autorizar os índios ou qualquer outro individuo a entrar na área e pegar telhas, rodas d’água, madeiras, bens que estavam dentro das casas e tantos outros, isso é furto, pois todos esses bens não deviam tem sumidos, mas sim estarem guardados em juízo, pois a fiel depositária vai ter que dar conta de cada bem que sumiu, porém será que ela mesma não pegou esses bens? Pergunta, apenas pergunta. 

 

Bom o processo não foi tramitado e julgado e se os “posseiros” como diz a grande e malévola mídia, ganhar no STJ e no STF, quem vai pagar toda essa destruição que mais parecem ter sido os canhões de Bush e da “América” que fez? Uma dívida no mínimo social. 

 

Porém quem deveria nos defender que se dizem órgãos sérios, são os primeiros a nos roubar, sem armas, mas debaixo dos nossos narizes como se fossemos quadrúpedes sem conhecimento e irracional, até quando o gigante continuará amarrado na cadeira de plástico com medo de arredar o pé? (Continua). 

 

Leandro Lima é mato grossense, jornalista e administrador 


Autor: Leandro Lima


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