Quarta-Feira, 14 de Janeiro de 2026

Previdência Social ou virtual - Por Paulo César Régis de Souza




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Nosso atual ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, tem trabalhado com ideias brilhantes e mirabolantes, no entanto, em desacordo com as propostas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Primeiro resolveu diminuir os juros cobrados pelos bancos nos empréstimos consignados. A medida era ótima para os aposentados, mas ele esqueceu de combinar com a área econômica e o Planalto.

Foi censurado pelo presidente, por ministros do governo e pelos bancos públicos e privados, pois essa medida era ruim para os bancos, inclusive os oficiais do governo, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Recuou apesar dos nossos aposentados estarem com dívidas astronômicas na casa dos bilhões, pois esses empréstimos não beneficiam o aposentado do INSS.Agora nosso brilhante ministro apresenta mais uma nova proposta a ser colocada em prática, imediatamente.

A Dataprev criou um cartão virtual, onde o aposentado terá descontos em academias, shows, telemedicina, viagens, apesar de que os idosos acima de 60 anos já têm garantido alguns desses benefícios.As duas brilhantes ideias não servem para melhorar a imagem da Previdência, em especial a do INSS, que tem hoje quase 3 milhões de benefícios represados.

Tenho até uma sugestão, que para os que aguardam no represamento, um cartão oferecido, gratuitamente, até que possam pagar. O cartão teria um papel social relevante. No meu entendimento, a Previdência Social foi criada há cem anos por Eloy Chaves para conceder benefícios, e não para se transformar em balcão de negócios, empréstimos, “cartão de descontos”.

A Previdência precisa é de um gestor, com dimensão de estadista, para arrecadar e pagar benefícios, fiscalizar e combater a sonegação, que passa dos 30% da receita líquida, precisa de concurso público para cobrir 11 mil servidores que se aposentaram, faleceram ou saíram em busca de melhores salários. A Previdência precisa é de compliance, de se modernizar, de acabar com a fila virtual, melhorar as condições de trabalho dos seus servidores, pagar o bônus por produtividade, melhorar suas instalações para receber melhor seus clientes, os 65 milhões de contribuintes e os 33 milhões de segurados.

Hoje temos agências e postos com 3 servidores, gerente, médico perito e 1 servidor ou funcionário terceirizado que não pode conceder benefícios. Uma vergonha! Alguns servidores estão trabalhando em “home office” e só não estamos com um represamento maior porque esses servidores continuaram trabalhando em casa com os seus equipamentos e internet próprios.A Previdência paga em dia 33 milhões de benefícios, ajudando famílias e municípios a sobreviverem.

Acredito que se fizermos uma pesquisa entre os aposentados, certamente eles irão preferir o reajuste dos seus benefícios, pagamento em dia e sem represamento na hora da concessão, melhores instalações, enfim, RESPEITO! “Eu vivo para que a justiça social, venha antes da caridade”. Faço minhas as afirmações de Paulo Freire.

*Paulo César Régis de Souza é vice-presidente Executivo da ANASPS- Associação Nacional dos Servidores Públicos, da Previdência e da Seguridade Social.


Autor: Paulo César Régis de Souza


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