Sexta-Feira, 24 de Julho de 2026

Jornalista deficiente visual elogia entidade de Barra do Garças e critica deputada de Mato Grosso




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O veterano jornalista e escritor Eduardo Gomes, popularmente conhecido como o Brigadeiro, escreveu esta semana um artigo onde se mostra indignado com uma situação colocada pela deputada federal de Mato Grosso, Amália Barros em ações que envolvem temas ligados ao deficientes visuais.

Eduardo Gomes também é portador de deficiência visual, e é considerado um dos maiores jornalistas e escritores que retratam a historia de Mato Grosso, com mais de 50 anos de profissão, ele aproveitou o momento e elogiou uma ação ocorrida em Barra do Garças. Leia a seguir o artigo na íntegra. 

Rainha em terra de cego - Triste sob todos os aspectos a consentida exploração da tragédia humana pela exprimeira-dama Michelle Bolsonaro em um evento do PL na Paraíba, onde pediu que a deputada federal sua afilhada política Amália Barros retirasse sua prótese no olho esquerdo.

Prontamente a parlamentar a atendeu para delírio do bolsonarismo presente. A deputada é jornalista e empresta seu nome à Lei 14.126 sancionada pelo então presidente Jair Bolsonaro em 22 de março de 2021, que define a visão monocular como deficiência sensorial, do tipo visual.

A sanção, claro, ocorreu após aprovação bicameral de um projeto apresentado no Senado em junho de 2019 e relatado por Flávio Arns (Rede-PR). Sua autoria é de Rogério Carvalho (PT-SE) – que tem visão monocular. Entre parlamentares é comum a coautoria em projetos.

Amália Barros nunca exerceu o jornalismo em Mato Grosso, pois até recentemente residia em São Paulo e militava em Brasília pela causa dos deficientes visuais; é casada com um produtor rural no Chapadão do Parecis. Ao tomar conhecimento dessa situação Wellington Fagundes (PL) pediu e foi aceito coautor.

Michelle viu em Amália Barros um nome para ser explorado eleitoralmente na campanha de Bolsonaro em 2022, e a lançou candidata a deputada federal pelo PL. No horário eleitoral Michelle formava dupla com Amália Barros pedindo votos. A cúpula do governo entrou em cena reforçando a defesa da afilhada da primeira-dama. Amália Barros virou deputada e percorre o país com Michelle em atos partidários.

Na Paraíba a madrinha não economizou no pedido: dá-me seu olho! Esse episódio foi bancado com dinheiro público, que é a fonte alimentadora das finanças do PL e demais partidos. É o Brasil financiando um teatro de horrores, de agressão aos portadores de visão monocular.

Vivemos o delírio bolsonarista onde o fim justifica o meio, ainda que o meio seja o comparativo entre gravidez com prenhes bovina pelo linguajar de Gilberto Cattani ou Amália Barros arrancando o chamado olho de vidro e o entregando nas mãos da madrinha.

Vítima que sou de descolamento duplo de retina no olho direito, que resultou no secamento do nervo ótico, tenho visão monocular desde 1981. São 42 anos com limitação visual, mas que graças a Deus nunca me impediu de trabalhar, de dirigir veículo e de prosseguir na jornada da vida.

Jamais explorei tal deficiência para causar comoção ou criar cenário de vitimização. Resignado aceito essa condição que a adversidade lançou sobre meus ombros, pois à época não tinha plano de saúde nem recursos para bancar o tratamento hospitalar necessário.

Conhecendo a realidade da visão monocular imagino que o gesto da madrinha e da afilhada foi afronta a todos e mais especificamente a nós que enxergamos somente com um olho. O episódio protagonizado por Michelle e Amália Barros foi sui generis.

Qual mulher se sentiria confortável arrancando sua prótese ocular em público? Qual a mensagem que a madrinha e a afilhada quiseram passar para os portadores de visão monocular? Integrante da parcela brasileira que enxerga somente com um olho recebi a mensagem das duas como escárnio, menosprezo ao cidadão.

Ao invés desse tipo de espetáculo a afilhada deveria fazer de sua limitação uma bandeira universal para todos os deficientes visuais nessa abençoada e ensolarada terra mato-grossense onde cegos e parcialmente cegos enfrentam dificuldade para sobreviverem.

Enquanto na Paraíba, em tom de chacota, as duas passavam o olho de vidro de mão em mão, em Barra do Garças integrantes da Polícia Penal e o Hospital Veterinário e Pet Shop Animais e Cia. doavam 20 mil para a reforma da Associação Barra-garcense de Cegos, com mão de obra carcerária – essa doação foi levantada com a realização de um evento denominado ‘Cãominhada & Corrida”.

Infeliz brincadeira da madrinha e da afilhada no país onde o marido da primeira em quatro anos na Presidência não amparou os institutos de cegos matogrossenses, e onde a outra, embalada pelo bolsonarismo adaptou para o sexo feminino a máxima de que, “Em terra de cego quem tem um olho é rainha”. 


Autor: AMZ Noticias com Eduardo Gomes


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