Acontece nesta quarta-feira, dia 21/08, a reunião requerida pelo vice-líder do PSB na Câmara, deputado federal Valtenir Pereira (MT), com os ministros do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello e com a Ministra Secretária de Direitos Humanos, Maria do Rosário.
A pauta da reunião é para que eles prestem informações acerca do plano de ação e das providências que estão sendo adotadas por parte do governo federal para minimizar a angústia e o sofrimento das famílias de trabalhadores despejadas da terra indígena Marãiwatsédé, na região Norte Araguaia.
O evento será realizado pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, e acontecerá às 9h30, no plenário 9, da Câmara dos Deputados.
A reunião contará com a presença dos prefeitos dos municípios que possuem parte do seu território pertencente ao território indígena como Alto Boa Vista e Bom Jesus do Araguaia, e dos outros município do entorno, que foram de alguma forma afetados com a desocupação como Confresa, Porto Alegre do Norte, São Félix do Araguaia, Serra Nova Dourada, Luciara e Canabrava do Norte.
Valtenir Pereira disse ao Jornal da Noticia, que pediu para que os prefeitos mobilizem a comunidade local, e que levem para participar da mesma, representantes que viviam naquela localidade há mais de 20 anos, e que acompanharam a instalação e a desocupação da área, e que estão hoje morando de favor ou debaixo de lona e recebendo cestas básicas pra sobreviver.
Recentemente ele esteve na região, e registrou imagens da situação degradante e subumanas que os posseiros estão vivendo depois dos despejos. As imagens mostram as famílias morando debaixo de lonas, em situação desumana. Muitos têm sofrido até problemas cardíacos e neurológicos em virtude da maneira traumática de como foram retirados de suas casas e propriedades da antiga Gleba Suiá Missú.
O deputado também informou ao Jornal da Noticia, que vai cobrar do governo federal a inserção das 7 mil pessoas despejadas da terra indígena, nos programas sociais e de habitação, e ainda a elaboração de plano de assentamento, para aqueles agricultores que perderam suas propriedades.
Para o parlamentar, a existência dos direitos dos índios não pode ignorar que existem comunidades que são compostas por pessoas com direito incontestável à dignidade humana.
"A dignidade humana deve ser igual para índios e não índios. Ela deve ser igual para todos e respeitada por todos. Se o governo federal, via Funai, teve o trabalho de proteger o direito da comunidade indígena, também teria que ter tido a mesma preocupação para mitigar os efeitos da desintrusão, fazendo a realocação e não jogar no relento as famílias, idosos, crianças da Gleba" disse Valtenir.
"Sem medo de errar, afirmo que são cinco os sentimentos que invadem cada uma das sete mil pessoas despejadas das terras: injustiça, tristeza, desalento, impotência e abandono. Essas pessoas estão sendo tratadas como cidadãos de segunda classe, como se isso fosse permitido no estado democrático de direito", descreveu o deputado.
Valtenir ainda destacou que o relato dessas famílias como algo chocante. "O material que nós coletamos e acostamos em anexo ao requerimento para convocar os ministros, dá a exata dimensão do drama social vivido pelos não índios quando tiveram, sob forte pressão policial, violência e ameaças dos representantes do governo federal, que sair corridos das terras há muito ocupadas por eles que vinham garantindo o seu sustento".
Autor: Jornal da Noticia com Assessoria