Quarta-Feira, 14 de Janeiro de 2026

Ferrovia FICO _ Chegou a hora da onça beber água - Por Eduardo Gomes de Andrade




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Ainda não é um pesadelo, mas o sonho de Água Boa e do Vale do Araguaia como um todo, com a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), está momentaneamente descarrilado. Isso! 

A Licença de Instalação do Ibama para a construção de 383 km de trilhos entre Mara Rosa (GO) e Água Boa tem o bloqueio de intervenção num trecho de 74 km, entre os Km 308 e 382 no ponto final do trajeto, por conta das terras indígenas Pimentel Barbosa e Areões, ambas dos xavantes.

Pesadelo, não, mas em compensação a obra empaca. O corredor Leste-Oeste para o Araguaia alcançar a Ferrovia Norte-Sul em Mara Rosa é uma incerteza, pelo menos quanto ao prazo para sua execução.

A obra foi lançada em 27 de setembro de 2021 em Mara Rosa, pelo então presidente Jair Bolsonaro, acompanhado pelo governador anfitrião, Ronaldo Caiado; o deputado federal José Medeiros; o estadual Dr. Eugênio; e prefeitos da região. 

A FICO é um projeto que começou em 2007, quando o presidente Lula lançou o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), que previa investimentos de R$ 503,9 bilhões em nove eixos sendo um do transporte, que incluía a FICO. A construção não saiu do papel.

Em 2010, Dilma Rousseff lançou o PAC II que previa investir R$ 1,59 trilhão para sacudir o Brasil – e a FICO foi contemplada com ele. O primeiro trajeto previa que a interseção com a Norte-Sul fosse em Campinorte, mas em função de um trecho acidentado, o traçado foi alterado para Mara Rosa.

Com Lula no segundo mandato e Dilma a FICO não passou de projeto. Michel Temer assumiu a Presidência. Três ministros liderados por Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) costuraram o modelo para a construção da FICO. Os outros ministros: Valter Casimiro Silveira (Transporte, Portos e Aeroportos) e Carlos Marun (ministro-Chefe da Secretaria de Governo).

A costura da obra. A mineradora Vale tem duas ferrovias cujas concessões estão próximas de vencer: a Estrada de Ferro Vitória a Minas e a Estrada de Ferro Carajás. Marun à frente, negociou com a Vale: renovamos as concessões a desembolso zero e vocês constroem a FICO entre Campinorte (GO), à margem da Ferrovia Norte-Sul, e Água Boa. A Vale topou.

A extensão é de 383 quilômetros e esse trecho faz parte de um trajeto maior, que avançará para Lucas do Rio Verde, Chapadão do Parecis e Vilhena (RO), mas esses são outros quinhentos.

Resumo: um emaranhado ambiental dá um nó nos trilhos. Funai, Ibama, Ministério Público Federal, organizações ambientalistas e o perfil do governo Lula criarão embaraços de toda natureza para o trem não apitar em Água Boa.

Que no Araguaia ninguém se assuste com isso. O que agora acontece com a ferrovia não é diferente da barreira criada para impedir a pavimentação da BR-158 na Terra Indígena Marãiwatsédé dos xavantes.

O Araguaia conhece bem a questão indígena e sabe o que aconteceu com a vila de Estrela do Araguaia, que era chamada de Posto da Mata. O momento é de ação em várias frentes ao mesmo tempo. Para tanto será preciso empenho da bancada federal, Assembleia Legislativa, governo estadual, Imprensa e redes sociais.

Até então, Mato Grosso dormiu em berço esplêndido sobre a questão, do mesmo modo quando ocorreu a desintrusão de Posto da Mata e quando da proibição da pavimentação da BR-158. Chegou a hora da onça beber água.


Autor: Eduardo Gomes de Andrade


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