Os municípios de Água Boa, Bom Jesus do Araguaia, Canarana, Cocalinho, Confresa, Nova Xavantina, Novo São Joaquim, Pontal do Araguaia e Porto Alegre do Norte localizados na região Araguaia de Mato Grosso e que são importantes polos agropecuários do estado, e que vem enfrentando desafios consideráveis na produção agrícola devido à escassez de chuvas, decidiram decretar Estado de Emergência.
Alem dos 09 muncipios outros 17 municípios do estado tambem tomaram a mesma decisão. O presidente do Sindicato Rural de Água Boa, Geraldo Delai, em Mato Grosso, expressou recentemente a situação crítica enfrentada pelos produtores da região devido à escassez de chuvas. Em uma entrevista ao Agronews, ele destacou as dificuldades causadas pelas condições climáticas adversas, afirmando que “nossas perdas no ano passado são muito relevantes” e estimando uma perda em torno de 30% em diversas lavouras.
Os desafios que se apresentam são diversos, indo desde a necessidade de replanejar o cultivo até as questões financeiras que impactam diretamente os agricultores. A incerteza quanto ao resultado final é evidenciada quando ele menciona: “Não sabemos se ela se concretizará, pois é muito difícil você fazer estimativas antes das colheitas, principalmente na atual condição.“, avalia Geraldo. Essa incerteza ressalta a imprevisibilidade que os produtores enfrentam diante das variabilidades climáticas. Com base nas informações fornecidas pelo presidente do Sindicato Rural, destacamos cinco estratégias essenciais para que os agricultores possam enfrentar essa situação adversa:
1 - Antecipação da renegociação contratual: Dada a condição de estresse hídrico e as perdas estimadas de cerca de 30% nas lavouras, é crucial que os produtores antecipem a renegociação de contratos com revendas, bancos e demais credores. Essa medida visa aliviar a pressão financeira, especialmente para arrendatários, que enfrentarão dificuldades para cumprir compromissos como pagamento de renda e acordos financeiros.
2 - Avaliação individual das lavouras: Cada produtor deve realizar uma avaliação minuciosa das suas lavouras, identificando aquelas que podem ser retiradas do processo ou direcionadas para a safrinha. Essa análise individual permitirá uma gestão mais eficiente dos recursos disponíveis, direcionando esforços para áreas que apresentem maior viabilidade diante das condições climáticas desfavoráveis.
3 - Acompanhamento técnico para controle de doenças: O aumento da umidade, associado à escassez de chuvas, cria condições propícias para o desenvolvimento de doenças nas plantações. Portanto, é fundamental que os produtores busquem acompanhamento técnico especializado para implementar estratégias de controle fitossanitário. O controle eficaz de doenças, como as provocadas por mosca branca, é crucial para preservar a produtividade das lavouras.
4 - Planejamento de safra e safrinha: O planejamento estratégico da safra e safrinha é fundamental para otimizar os recursos disponíveis e minimizar perdas. A orientação do sindicato em relação à dessecação de algumas lavouras destaca a importância de adequar o calendário agrícola às condições climáticas adversas, priorizando culturas mais resilientes diante da falta de chuvas.
5 - Participação em programas de apoio: Os produtores devem buscar ativamente programas de apoio oferecidos por órgãos governamentais, sindicatos e instituições financeiras. Incentivos e linhas de crédito especiais podem ser essenciais para superar os desafios financeiros decorrentes da crise climática. O sindicato, como ponte entre os produtores e esses programas, desempenha um papel crucial ao orientar e informar os agricultores sobre as opções disponíveis.
A estratégia do sindicato em meio a esse cenário é clara: auxiliar os produtores com a orientação correta para renegociação de suas contas e nas decisões cruciais para enfrentar as adversidades. Segundo o presidente, a consideração das contas é um ponto crítico, especialmente para os arrendatários, que enfrentam o desafio adicional de cumprir obrigações financeiras enquanto lidam com perdas nas lavouras. O sindicato busca orientar os produtores sobre a importância de iniciar o diálogo com credores e revendas, apresentando a realidade da situação e buscando alternativas para minimizar os impactos financeiros.
Outros munícipios em estado de emergência- O cenário se agrava com a decisão de Sorriso, que, após declarar emergência por 120 dias em 21 de dezembro, estendeu a vigência do decreto para 180 dias na última semana. Essa ampliação reflete a gravidade da situação e a necessidade de medidas extraordinárias para enfrentar os impactos da falta de chuvas na região.
Autor: AMZ Noticias com Agronews