Sexta-Feira, 24 de Julho de 2026

Estado gasta R$ 5 milhões com novas fardas, mas os policiais rejeitam a troca




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Mesmo contra a vontade da maioria da corporação, o Governo de Mato Grosso decidiu mudar a farda da Polícia Militar (PM). Até o fim do ano, os sete mil militares estarão trocando o uniforme azul petróleo pelo cinza bandeirante, semelhante ao usado em São Paulo (SP).

O novo modelo foi idealizado com base em pesquisas e visa proporcionar maior conforto aos militares. Porém, é alvo de críticas por parte de policiais, que só não reclamam por questão do regime militar que os proíbe de se manifestar.

O assunto foi parar na Assembleia Legislativa do Estado. Em pronunciamento durante sessão, o deputado Walter Rabello destacou que uma enquete feita no site da PM mostrou que aproximadamente 60% não estão favoráveis a substituição do atual uniforme, popularmente chamado de "azulão". Portanto, a PM fez a pesquisa e decidiu trocar o fardamento usado desde 1967 mesmo com a maioria sendo contra. O custo para a mudança é da ordem de R$ 5 milhões.

"Há sim, uma não-aceitação por parte da maioria. Nas conversas que a gente tem tido com o pessoal, as opiniões são contrárias à mudança", informou o presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM, cabo da reserva Adão Martins da Silva. "A mudança de cultura é complicada e existe essa dificuldade de aceitação com a troca do fardamento", reforçou.

Conforme Adão Martins, o entendimento dos policiais é que a nova cor quebra a tradição e até mesmo a identidade da polícia. "Eles acreditam que não impõe o mesmo respeito que o atual uniforme", frisou. Há o entendimento ainda que o novo modelo seria menos ofensivo.

Embora reconheça que também teria dificuldade de aceitação do novo uniforme, Adão Martins pondera que a mudança não vai influenciar o trabalho dos PMs. "Vão continuar fazendo o trabalho de combate à violência, de orientação e atendendo bem à população", comentou.

Segundo o coordenador de Comunicação do Comando Geral da PM, tenente-coronel Paulo Ferreira Serbija Filho, a mudança se deu com base em ampla pesquisa feita por um cadete da Academia da PM visando buscar um material que fosse confortável, compatível com as condições climáticas e territoriais do Estado. "A mudança propicia melhor conforto aos policiais, propiciando melhor desempenho da profissão e melhor adequação às condições climáticas do Estado", disse.

Conforme Serbija, foram feitas várias combinações que vão desde o fardamento de gala (branco) ao operacional, o utilizado no dia a dia. Neste último caso, conforme ele, a calça é cinza, camisa azul claro, boné de tactel e coturno de cano curto.

A mudança segue o decreto 1.400/2012, que traz o regulamento de uniformes da PM, sendo que por conta dos estudos, o Estado segurou a compra das vestimentas por dois anos. A nova farda já vem sendo distribuída gratuitamente aos integrantes da corporação, de soldados a coronéis. A perspectiva é que até o fim do ano esteja sendo usada pelos PMs.


Autor: Diario de Cuiabá


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