Faleceu nesta terça-feira, 24 de setembro, a religiosa de origem francesa, Genoveva de Focauld, conhecida como Ir. Veva, ela viveu os últimos 60 anos junto com os índios Tapirapés, na Aldeia Urubu Branco, em Confresa, Veva havia completado 90 anos em agosto passado.
A religiosa deixou a França em 1952, com outras duas religiosas da Fraternidade das Irmãzinhas de Jesus, as três irmãzinhas chegaram ao Brasil no dia 24 de junho de 1952, com o objetivo de morar junto com os Tapirapé, numa casa como a dos indígenas, passando a ter a mesma alimentação e o mesmo estilo de vida.
“Queríamos viver no meio deles o amor de Deus que não deseja outra coisa senão que vivam e cresçam como Tapirapé”, disse Ir. Veva numa entrevista concedida à revista Porantim.
Atualmente os tapirapés são mais de 600 individuos, na sua maioria jovens, há muitas crianças. Em 1993 eles ocuparam de novo a sua terra que tinham deixado em 1948. Eles próprios asseguram a escola e a saúde. Vários professores estudam na universidade.
Os tapirapés vivem nas aldeias Majtyritãwa, próxima a Santa Terezinha, ´Tapiitãwa, Wiriaotãwa, Akara´ytãwa e Xapi´ikeatãwa, e na área indígena Urubu Branco, próxima da cidade de Confresa.
Infelizmente os seus direitos continuam a ser ameaçados: a terra invadida, madeira cortada e a cultura não reconhecida, porém o respeito às crenças, ao estilo de vida e aos costumes dos Tapirapé foi o que fez das Irmãzinhas as principais aliadas deste povo durante todos estes anos. As lutas foram muitas e a determinação destas mulheres ainda maior.
Logo na chegada, Veva e sua colegas deram atenção especial à saúde, pois os indígenas estavam muito expostos ao contágio de doenças levadas pelos não-índios. Era a primeira vez que a “fraternidade” se estabelecia numa comunidade indígena em solo brasileiro. Muita coisa aconteceu durante esses 60 anos. Os Tapirapés, que pareciam estar próximos da extinção, conseguiram se recompor.
Mas, para chegar a essa nova situação, quanta dedicação, partilha e aprendizagem foi exigida das irmãs que vinham de uma cultura completamente diferente. Apesar de alguns surtos epidêmicos, com a chegada das Irmãzinhas a mortalidade foi reduzida e quase erradicada, devido aos tratamentos curativos e do controle profilático das doenças. Nesse processo todo, as Irmãzinhas sempre respeitaram a maneira de ser dos Tapirapés.
Mesmo aos 90 anos, ela seguia cumprindo a sua rotina diária, acordando antes do sol nascer para cultivar a pequena roça que fica atrás da casa de taipa das irmãzinhas dentro da aldeia Urubu Branco.
Durante o período em que conviveu com os índios, sobreviveu a mais de seis malárias. Nos últimos anos, eram suas companheiras de missão as irmãs Odila e Elizabette.
Os missionários redentoristas que atuam na região acompanham as cerimônias de despedida da comunidade indígena e da cidade de Confresa.
O Povo Tapirapé
O quase extermínio dos Tapirapés se dá a partir de 1909, quando a população de aproximadamente 2000 índios foi exposta às doenças trazidas pelos não-índios. Epidemias de gripe, varíola e febre amarela acabaram com duas aldeias. Outro agravante da diminuição e dispersão dos Tapirapés, foram as disputas existentes com os Kayapó, que viviam na mesma região. Em 1935, já estavam reduzidos a 130 pessoas e, em 1947, estavam com apenas 59.
Foi nesse ano que ocorreu o grande ataque Kayapó. Aproveitando a ausência dos homens que haviam saído para a caça, a aldeia Tampiitãwa foi praticamente destruída e várias mulheres e meninas raptadas. Com a chegada das Irmãzinhas, em 1952, a situação começa a ser controlada. Com isso, podemos dividir a história Tapirapé em duas etapas - antes e depois das Irmãzinhas, desta forma a irmãzinha Genoveva deixa sua historia cravada no Araguaia.

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Todas as fotos desta matéria são de arquivos pessoais
Autor: Jornal da Noticia com Assessoria