Mais de R$ 1 milhão, este foi o prejuízo de um laticínio com a desocupação região da Suiá Missú em Alto Boa Vista. Toda a estrutura montada a cerca de dois quilômetros da sede de município foi destruída e a matéria prima, que era recolhida com os posseiros, foi afetada.
“Em média, tínhamos somente naquela unidade, um recolhimento de 12 mil litros por dia, e tivemos que interromper a produção e derrubar toda a estrutura por determinação da Justiça”, disse seu Joventino Borges, gerente do laticínio. Por dia a Unidade de Alto Boa Vista fabricava cerca de 300 peças de queijo mussarela por dia, gerando 11 empregos diretos.
Com a retirada das oito mil famílias que viviam na área de 166 mil hectares, demarcada como reserva indígena Xavante, a empresa parou a fabricação do queijo, demitiu funcionários, mas não desanimou e montou uma unidade recolhedora em Bom Jesus do Araguaia. Município que acolheu a maioria dos desabrigados. “Foi a maneira que encontramos de manter o negócio e atender as famílias que ficaram desabrigadas, mas que ainda tinham as vacas para tirar o leite, não é tudo como a gente queria, mas acredito que estamos fazendo a nossa parte”, explicou ao Agência da Notícia uma das diretoras do Laticínio Jane Maria Caetano.
Mesmo com o prejuízo financeiro, com a perda da estrutura, a empresa resolveu continuar atendendo as famílias, como uma maneira de oferecer subsistência, para quem também perdeu tudo. “Além dos empregos diretos, é com a produção de leite que muitas famílias se mantem, mais do que um negócio, tínhamos uma responsabilidade”, destaca o gerente.
Mas a distância acaba diminuindo o valor pago aos produtores, em alguns casos recebem dez centavos a menos que anteriormente. “Nossa cede é em Canabrava do Norte, infelizmente a distância acabou elevando os custos de produção, e o litro que era pago R$0,87, hoje em alguns casos fechamos por 0,75, mais de 10% de prejuízo para empresa e produtor”, ressalta Joventino.
Além de Bom Jesus do Araguaia, o laticínio tem postos de recolhimento em Porto Alegre do Norte, Santa Terezinha, São José do Xingu e Confresa. Toda a produção da região é industrializada em Canabrava do Norte, o laticínio recebe em média 150 mil litros de leite por dia.
Autor: Agencia da Noticia