O Governo do Estado e Assembleia defendem uma coisa e fazem outra: no discurso, é quase unânime entre os parlamentares a defesa de que o Executivo deve promover “urgentemente” cortes no quadro de comissionados para, com isso, o Estado economizar e ajustar a máquina como forma de ter mais recursos para investir no desenvolvimento de Mato Grosso.
Mas na prática criou de uma só vez cerca de 70 cargos comissionados para a Defensoria Pública do Estado. A matéria, de autoria do Governo, foi uma das últimas aprovadas antes do recesso parlamentar, no último dia 15.
E a criação de novos cargos comissionados só não foi maior porque o deputado oposicionista Percival Muniz (PPS) pediu vistas de outra proposta do Executivo (110/2011) que pretende criar mais três cargos no âmbito da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), cuja alegação do governo é para a descentralização da Sema para o município de Sinop.
“Isso (a mensagem 110/2011) é cabide de emprego, é empreguismo, se for perguntar todos os cargos têm necessidade de serem criados, mas na hora de pagar a conta, é que Estado vê a dificuldade que é, então acho que temos que agir com coerência e por isso estou pedindo vistas”, disse Percival, da tribuna.
Mesmo concordando com grande parte dos argumentos de Muniz, o presidente da Assembleia, José Riva (PSD), justificou que esta proposta de criação de cargos na Sema foi colocada em pauta para atender a um pedido da bancada do PMDB, partido do governador, que teria usado fortes argumentos para que esses cargos fossem criados para atender Sinop e parte da região norte.
“Não sou a favor de criar mais cargos, ninguém vai aguentar carregar a máquina tão pesada, o cidadã não aguenta mais pagar por isso, porém, são apenas dois cargos que vão descentralizar, seria um secretário adjunto em Sinop e mais dois cargos, mas nós (deputados) deveríamos pesar a mão mesmo é no projeto que votamos agora há pouco, que cria 70 cargos para a Defensoria”, alegou Riva. A média salarial desses cargos aprovados pela Assembleia é de R$ 3,7 mil.
Mesmo assim o líder do governo na Assembleia, Romoaldo Júnior (PMDB), mantém a previsão do Executivo de uma reforma administrativa já início de 2012. O tamanho do chamado “facão” está sendo trabalhado pela Secretaria de Estado de Administração (SAD).
“O governo vai fazer o ajuste a partir de janeiro, terá que cortar gorduras (demitir comissionados) porque não é possível seguir com o Estado desse tamanho, a máquina está muito maior que o necessário”, disse Romoaldo.
Já de acordo com o governador Silval Barbosa, o ajuste, que deverá também ser feito pelos Poderes Judiciário e Legislativo, além do Ministério Publico, será posto em prática de acordo com a realidade de cada órgão e de cada Poder.
O Estado tem em seu quadro de servidores cerca de 90 mil pessoas, sendo que desses quase 60 mil estão na ativa.
Autor: Hipernoticias