Etnias Tapirapés denunciaram ao Ministério Público Federal através de uma carta acusando o deputado estadual Baiano Filho e três prefeitos da região Norte Araguaia de tentarem aliciar a comunidade indígena com promessas de que ganhariam camionetes, escolas e postos de saúde caso fossem favoráveis à pavimentação asfáltica da MT 100.
O suposto aliciamento teria ocorrido ao longo de três encontros realizados na aldeia Urubu Branco entre as lideranças políticas e xavantes no ano passado. “As obras da MT 100 atingem diretamente a comunidade indígena e em troca de nossa aprovação ofereceram aquilo que é direito essencial do povo, que não aceito o acordo”, diz parte da carta.
Os prefeitos envolvidos seriam Gaspar Lazari de Confresa, Emival Freitas de Porto Alegre do Norte e Cristiano Gomes de Santa Terezinha. Os três teriam participado de uma reunião no dia 22 de novembro em Confresa, ao lado do deputado, quando foram reafirmadas as promessas em troca da aprovação, dizem os índios.
“O que fica explícito é que aqui também se utiliza a comum estratégia de dividir a comunidade e fazer acordos com um grupo à parte, legitimando possíveis acordos que ferem os interesses da maioria do povo”, afirma Gilberto Vieira, secretário adjunto do Conselho Indigenista Missionário, relatando que há uma denuncia dos índios de que o Deputado Estadual Baiano Filho estaria conversando com grupos separadamente na tentativa de estreitar as relações para conseguir a MT 100..
Uma outra tentativa de negociação teria sido feita pelo deputado no último dia 22, mas os índios não aceitaram receber a comitiva do deputado estadual e afirmaram que não há negociação em relação às obras de MT 100, que para eles devem ser embargadas.
Outro Lado
No início da tarde desta quinta-feira(30) nossa reportagem conversou por telefone com o Deputado Estadual Baiano Filho que negou aliciamento aos índios. “Nem eu nem prefeito nenhum fez aliciamento à índios, nós fomos na Aldeia para tratar de diversos assuntos e pedidos dos Tapirapés, e também da MT 100, nessa conversa os índios pediram as caminhonetes, e eu disse que iria tentar viabilizar as caminhonetes que eles queriam, só isso”, explicou o Deputado.
Baiano Filho também denunciou que os índios fizeram chantagem para a aprovação da MT 100. “Agora os índios sim quiseram aliciar os fazendeiros, políticos e produtores que querem a estrada, pois para liberar a estrada eles pediram 45 mil cabeças de gado, e afirmaram que caso nós não déssemos as 45 mil cabeças de gado, a estrada não sairia e eles iriam atear fogo na ponte que esta sendo construída sob o Rio Tapirapé. Eles justificaram que com a estrada, a comida deles estaria em extinção por causa da pesca do rio, e por isso pediram 45 mil cabeças de gado, e é lógico que nós dissemos que não tínhamos e que não íamos entrar nesse jogo”, afirmou Baiano Filho. A reunião inclusive foi acompanhada pela imprensa.
Baiano ainda fez questão de explicar a MT 100 que liga os municípios de Santa Terezinha à Luciara, é dentro de duas propriedades particulares e passa à pelo menos uns 10 quilometros da área indígena. “O que nós queremos é ter uma amizade saúdavel com os índios, sempre ajudamos como podemos, agora é importante deixar claro que nunca houve aliciamento de nada”, declarou Baiano.
As obras da MT 100 estão paradas desde outubro quando os índios atearam fogo em parte da ponte. Baiano disse que as obras da estrada podem ser recomeçadas após o período chuvoso.
Autor: CamilaNalevaiko - AgenciadaNoticia