Quarta-Feira, 14 de Janeiro de 2026

A morte do menino Bernado - A sociedade que se omitiu quer justiça, mas que justiça?




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No momento em que ocorre um crime que choca a sociedade gaúcha, a morte de um menino de 11 anos, Bernardo Uglione Boldrini assassinado pela madrasta com, no mínimo, a cumplicidade do pai, uma profunda comoção assola nossa sociedade. As opiniões variam e as exigências de punições também, pasando da escomungação até a pena de morte dos culpados.

No entanto chama a atenção que o menino Bernardo pediu socorro, que toda a comunidade da pequena cidade onde moravam, Três Passos, sabia da forma como ele tratado na casa. Todos fecharam os olhos e ouvidos, cruzaram os braços, abandonaram o inocente Bernardo a própria sorte e esta não lhe foi benevolente, ou melhor seu pai, um médico, rico e influente na cidade e sua madrasta eram mais perigosos do que sua sorte podia lhe proteger.

Bernardo acabou assassinado sabe-se lá qual o motivo final, a madrasta e o pai o levaram a setenciar com a execução, mas o fato é que ele foi assassinado cruel e impiedosamente.

A sociedade que se omitiu quer justiça, mas que justiça? Se esta também permitiu que Bernardo seguisse sendo mal tratado e assassinado, quem desta cidade tem condições de pedir justiça?

E aqui vem o grande necessidade de REFLEXÃO. Quantos de nós vivenciamos casos semelhantes, sabemos de pais que violentam seus filhos e também, como todos da comunidade de Três Passos, nos omitimos, nos calamos, cruzamos nossos braços.

Estaremos também a espera de um assassinato para ver que o tapa é a véspera do espancamento que é a véspera, talvez de um crime, um assassinato. Que este momento sirva para que todas as crianças que são agredidas dentro de casa aprendam a relatar o que passam a quem puder, professores, amigos, parentes, conselheiros tutelares, delegado, promotores, juizes e exigir atitude. Que cada um de nós passemos a dar a real importância a violência doméstica e não nos homitamos nunca mais.

Que Bernardo com sua inocência nos de a consciência necessária para mudarmos de atitude nestes casos que são tão corriqueiros e tão pouco denunciados.

 

*Paulo Vargas é Engenheiro Civil formado pela Universidade Federal de Santa Maria-RS, Sócio-proprietário da empresa Xingu Engenharia  e colaborador do Jornal da Notícia


Autor: Paulo Vargas


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