Há 30 anos, no dia 25 de abril de 1984, o Brasil vibrava nas ruas com milhares de pessoas mobilizadas pela volta da democracia, no maior movimento político-social da história do país, conhecido como Diretas Já. Foi um acontecimento único, onde cada cidadão se sentia protagonista daquele momento histórico. E cada um que viveu tem uma história para contar.
Nesse dia o país acompanhou a votação da emenda Dante de Oliveira por eleições diretas para presidente da República, com a mesma expectativa e ansiedade dos minutos finais das grandes partidas de futebol. As TVs, além de proibidas, ainda não faziam transmissão direta. Então as pessoas se reuniram nas assembléias legislativas, universidades e outros locais públicos para acompanhar, via rádio, voto a voto a votação que acontecia no Congresso Nacional.
No final da votação, os protestos nas ruas mostravam indignação e tristeza. Foi grande a comoção com a reprovação da emenda: 298 deputados a favor; 65 contra; 3 abstenções e 113 vergonhosas ausências ao plenário. As pessoas choravam e se consolavam umas as outras sem constrangimentos. Todos viviam e estavam unidos pela mesma dor e revolta, sem saber que nessa data histórica foi dado início a derrota do regime militar.
O movimento rachou a base governista, que era maioria no Congresso Nacional e, mesmo não aprovando as eleições diretas, um ano depois,em 1985, a oposição venceu a luta com a eleição de Tancredo Neves para presidente da República. A vitória da oposição representava a vitória do povo. Era o fim de 21 anos de governo militar, em que o país foi governado por cinco presidentes militares.
Por isso hoje, 25 de abril de 2014, é dia de homenagear Dante de Oliveira e Tancredo Neves. Esses dois líderes, junto com outras lideranças destacadas na época, passaram para história como os principais representantes do movimento Diretas Já. Homenageio a eles na pessoa de Thelma de Oliveira e Aécio Neves, herdeiros do legado político dessas duas lideranças históricas.
Na década de 90, tive a honra de conhecer Dante de Oliveira, conviver como amigo e aprender com ele os meus primeiros passos na política. Hoje, me sinto privilegiado por ter ao meu lado a deputada Thelma de Oliveira, apoiando e se engajando na minha futura candidatura a deputado estadual.
E também tenho a honra de fazer parte e apoiar o projeto de Aécio Neves para o país. Ele, que é o herdeiro do legado político e dos valores defendidos por Tancredo Neves, mostrou sua competência e honestidade em Minas gerais, agora vai fazer o mesmo pelo Brasil. Considero a trajetória dessas duas lideranças um exemplo para qualquer cidadão que almeje fazer política com idealismo e decência.
Por isso, é importante lembrarmos esse momento histórico como referência para nossos jovens. Nossa geração foi às ruas de cara limpa e fez a sua parte. Depois, a próxima geração, em plena democracia, voltou às ruas de cara pintada e derrubou um presidente civil. Agora é a vez dos jovens, de todas as idades, mostrarem força e união.
Não precisamos de máscaras ou violência para manifestar nossa indignação com a incompetência e corrupção do governo. A história já nos ensinou que protesto não é sinônimo de vandalismo, não devemos recuar por causa de uma minoria oportunista e baderneira. Conquistamos o privilégio de viver numa democracia depois de muita luta em defesa da liberdade e democracia.
Agora é hora de dar um basta a corrupção e defender o acesso aos nossos direitos básicos. Queremos eficiência e honestidade na aplicação dos recursos públicos. É hora de lutar por igualdade de oportunidades, de exigir nosso pão, saúde e educação decente no Brasil.
*Carlos Avalone é deputado estadual em Mato Grosso.
Autor: Carlos Avalone