Muita gente, neste período, se pergunta: “E quando chegar o Natal, como será? Terei eu um pedaço de pão sobre a mesa para cear com meus pequeninos? Será se o precioso e indispensável liquido da vida, a água, estará dentro do acanhado refrigerador para ajudar a empurrar o bromato de potássio goela abaixo?
E o que fazer para alimentar meu cachorrinho amarrado lá no quintal guardando a segurança desse barraco? O que darei de presente para essas crianças que mesmo sem noção da realidade tem os olhos brilhantes de felicidade? Oh meu Deus, como será? Será se pelo menos um vizinho ou um parente distante chegará, de surpresa, disfarçado de socorro Noel?”
É assim em várias partes deste Estado e deste Brasil que a realidade assombra o destemido trabalhador brasileiro. São nestes mesmos lugares que centenas, milhares, de aquinhoados cidadãos esbanjam fartura, destroem cifras, humilham os desprovidos de condições. São potencias humanas maculando a alma em detrimento de renegados irmãos desempregados. Por outro lado, pela inquietude ou pela falta do saber.
E mais do outro lado, pela falta de sensibilidade de muitos fabricantes de acessórios natalinos que querem os lucros e mitigam a cultura do bom velhinho. Quer ver? Vai saber o preço de um panetone que a surpresa te dirá se aqueles ‘sem grana’ têm condições de comprar.
Mas existem os ‘nóeis carpe diens’ que se movimentam em favor dessa gente zerada de renda, ânimo, da moral, sorte, zerada de tudo. Salve, salve povo amado e idolatrado do Brasil.
É nessa gente que os ‘sem nada’ esperam alento. Gente de toda parte do País buscando alento para esta casta social desassalariada. Às entidades filantrópicas, de classe, empresários, religiosas, de servidores públicos e privados, irmãos e irmãs de peito e raça como a Cruz Vermelha; Rotary; Lions...
Culpa de quem? Minha, sua, deles, dos governos, nossa. Porque as condições, mesmo para os deficientes físicos ou preconceituosos raciais, existem. Para os cotistas, os de atendimento prioritário, em fim, temos políticas públicas, entretanto falta socializar estas acessibilidades. É aí que entra a nossa culpa.
*Ubiratan Braga é jornalista, radialista e publicitário em Cuiabá
Autor: Ubiratan Braga