Aqui do alto do meu observatório terrestre onde por voos baixinhos e outros meios lunáticos observo o morro de Santo Antônio e, no trajeto, entre pensamentos fiscalizadores diversos detecto nas várias ações praticadas na terrinha verde, uma que aguça meditar mais a fundo: os mensaleiros. O que faz com que uma pessoa com suas aquisições patrimoniais e laborais ímpares se enveredar por ilícitos e mais ilícitos apenas pelo prazer vinil?
A resposta, mais que espontânea e requentada, surge lembrando-me de um slogan fácil e eficaz de uma empresa eletroeletrônica, o qual mudei para “tem coisas que só o real faz por você”. Mesmo com a resposta em mãos resolvi entrar no tema sabendo que o leitor não estranhará o fato, dado os escândalos e mais escândalos que não escolhem lugar, cor, sexo, religião ou algo além do infinito. Mas tem a cultura política como pano de fundo.
E quem surge como novo protagonizador dos ilícitos aqui em Mato Grosso? Bem simples, o ex-juiz federal Julier Sebastião (PMDB), que segundo publicação manchetada de A Gazeta “Julier era bancado com dinheiro desviado do VLT, afirma MPF”. Já no periódico eletrônico gazetadigital.com.br, Julier passa da condição de julgador a réu na edição da mesma quarta-feira, 04.02, às08h22.
Lá no Fogo Cruzado do jornal informa: “Um dos cotados para a disputa municipal em 2016, o ex-juiz federal Julier Sebastião (PMDB) passa da condição de julgador para réu. Isso porque o Ministério Público Federal propôs ação penal contra o ex-magistrado por supostos crimes funcionais no período em que exerceu a titularidade da 1ª Vara Federal em MT. De acordo com a denúncia, Julier recebia mesada e tinha despesas ligadas ao seu projeto político bancadas por empresas beneficiadas por decisões dele. Essas empresas tinham contratos diretos ou indiretos com o Governo do Estado. A situação do peemedista é bastante delicada, uma vez que recursos desviados das obras do VLT seriam destinados ao custeio das despesas do ex-magistrado.”.
Veja se dá para entender porque dinheiro/política/ilícitos andam grudados num caso sério para sempre. Sério em relação ao poder do dinheiro. Para sempre, porque se o leitor concordar essa condição de se dar bem, sem o esforço do trabalho, passou de acinte para cultura do roubo. É aí que entra o ilícito.
Entenda: Julier, oriundo do judiciário, onde Pedro Taques é seu maior representante, ambos estão afastados labor e politicamente. Julier é do PMDB e pode gelar a candidatura de qualquer nome de interesse do governador, que é do PSB e este já tem nome para tal cargo. Por outro lado há compromissos desde a eleição passada que ‘um outro nome’ deve ser o candidato, daí a queimação do ex-juiz propinado agora. Sinto que estão judicializando os interesses. Daqui a pouco até a urna não o cofre da livre democracia. Como prosperar sem a necessidade de propinas e ilícitos galáticos, pois se o “faz me rir” é indispensável culturalmente.
*Ubiratan Braga é jornalista, radialista e publicitário em Cuiabá
Autor: Ubiratan Braga