Uma pessoa que levou milhões de reais dos cofres públicos e se ajeitou na vida vai ligar para uma prisão temporária?
Você conhece algum caso de político em Mato Grosso, ao longo de décadas, que foi condenado à prisão pela Justiça estadual por corrupção? Que ficou preso por sentença final do Judiciário?
Você conhece também algum caso em que a Justiça tenha feito alguém daqui devolver a rapina feita nos cofres públicos?
A lei brasileira é tão porosa e cheia de escapes que alguém com uma boa banca de advogados dificilmente é condenado à prisão por longo tempo, por atos não republicanos com o dinheiro público.
Se aplicassem e Teoria de Domínio do Fato, não ficaria pedra sobre pedra.
A rua diz que a ‘condenação’ de alguém se dá na prisão mostrada pela televisão, como aconteceu na recente com o Riva.
"O problema no Brasil é a impunidade. Os EUA talvez sejam um dos países mais corruptos do mundo, mas punem"
Ouvi de uma autoridade policial que, frente às seguidas solturas que ocorrem em decisão judicial, a forma da prisão da autoridade é que seria o clímax da atuação.
Contou que o momento máximo é quando o prisioneiro graúdo tem que entrar na porta traseira do camburão algemado com os braços para trás.
Que ele vai ter que entrar de costas e dar uma requebrada com a bunda.
Essa mexida, mostrada pela televisão, é que seria a suprema desmoralização porque acham que o cara vai ser solto logo.
Uma pessoa que levou milhões de reais dos cofres públicos e se ajeitou na vida, vai ligar para uma prisão temporária?
Se a coisa apertar ele muda para outro estado e vai curtir o dinheiro surrupiado e tirar sarro na cara dos trouxas que somos todos nós.
O problema no Brasil é a impunidade. Os EUA talvez sejam um dos países mais corruptos do mundo, mas punem.
Estava preso um governador de Illinois do partido Republicano quando outro dos Democratas também foi para a cadeia.
Lembro na Louisiana do governador Edwin Edward, o político mais poderoso do estado, junto com o filho tomou dez anos de cadeia por corrupção.
Você acredita que a Justiça mandaria um governador ou ex-governador do estado por longos anos para o Carumbé?
Nem que a vaca tussa, como diria a Dilma. Até a população não concorda. A nossa cultura íbero-católica nos leva a não aceitar isso.
E, quando preso, tem uma tal de progressão de pena se o condenado ler livros ou fizer curso de corte e costura ou culinária. Está na lei. O exterior acha tudo isso muito engraçado.
Tem caso aqui no estado em que alguém ficou rico com a politica e virou ícone para alguns porque nunca teve processo contra ele.
Não é ser condenado porque ninguém o é. Endeusa-se o malandro que conseguiu fazer a malandragem sem ser nunca processado.
Pessoas assim viram referência. Não tem alguma coisa errada com a gente?
*Alfredo da Mota Menezes é historiador e articulista político em Cuiabá.
Autor: Alfredo da Mota Menezes