Terca-Feira, 20 de Janeiro de 2026

José Medeiros, o inexpressivo senador de MT, que começa a ganhar espaço entre os notáveis




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Pode-se dizer muita coisa do jovem senador José Medeiros, menos que ele seja do tipo que traz as opiniões na coleira. O conheço desde os bancos do Campus Universitário de Rondonópolis. Frequentamos a mesma sala em algumas disciplinas, nos anos 1990. Eu, no curso de Letras. Ele, de Matemática. Ali já se via, com posições convictas e coerentes, um rio-grandense do norte que chegara menino em Mato Grosso disposto a ocupar espaço. Ao mesmo tempo que fazia faculdade, passava no concurso para atuar como policial rodoviário federal. A militância política já corria na veia. Se filiou ao PPS. Virou presidente municipal. Concorreu, sem êxito, a deputado federal. Sob indicação de Percival Muniz, entrou na chapa de Pedro Taques ao Senado como primeiro-suplente, em 2010. Este ano torna-se senador com quatro anos de mandato pela frente.

No Congresso, para surpresa de muitos, Medeiros passou a marcar posição. Não falta a uma sessão. Fala grosso. Aos poucos, vai tirando dos céticos a pecha de inexpressivo. Sobe a tribuna com discurso afiado. É bom orador e está perdendo a timidez. Nesta segunda, por exemplo. disse que a coalizão de forças proposta pelo Executivo para tirar o país da crise somente será possível se houver confiança no governo. O problema, diz Medeiros, é que esta confiança está abalada pelas diversas frustrações geradas pelo próprio governo Dilma. Entende que houve quebra de confiança quando a petista anunciou diversos projetos e estes não saíram do papel ou não tiveram o resultado esperado. Como exemplos, ele citou o trem-bala e as mudanças no setor energético, o pré-sal, o programa da concessão de ferrovias, entre elas a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), planejada para atravessar todo o Mato Grosso e garantir o escoamento da produção local pelo Oceano Pacífico.

Levantar problemáticas do país, especialmente de Mato Grosso. Se mostra aliado do governador Pedro Taques, sobre o qual discorre comentários acerca de feitos já realizados pela nova gestão. Já teve oportunidade de presidir a sessão do Senado. A ficha dele está caindo aos poucos. Trata-se de um sujeito simples que se torna autoridade carregando os traços da humildade. É honesto e trabalhador. Se abre ao diálogo com as lideranças e segmentos. Isso, na vída pública, deve ser elogiável. Em certo momento, Medeiros foi desprezado por Taques. Em outro, por Percival. Fingiu-se de morto. Deu a volta por isso e, nem por isso, carrega rusgas desses conflitos que quase eliminaram sua chance de ter estreado como senador.

Em menos de dois meses de mandato, Medeiros já fez 11 pronunciamentos da tribuna. Apelou ao governo federal para atender as reivindicações sociais em MT e evitar bloqueio de rodovias, criticou a falta de infraestrutura logística, alertou para os entraves ao crescimento da indústria no Brasil, disparou sobre a crise na Petrobras, saiu em defesa da liberação do Fundo de Apoio às Exportações, forma de compensar perdas tributárias dos Estados exportadores, e reclamou da impossibilidade de parlamentar eleito em 2014, como é o seu caso, destinar recursos da Lei Orçamentária, ainda não aprovada, ao Estado de origem. Também se mostrou preocupado com a interdição de rodovia em MT por indígenas e conclamou à Funai por resolução. Cobrou pressa na apreciação do projeto de lei que institui o Fundo Nacional de Amparo a Mulheres Agredidas e defendeu a criação de universidade federal em Rondonópolis.

Ele pode encerrar o mandato daqui a quatro anos, entrando para a história como um dos que ocuparam cadeira de senador sem ter sido cabeça de chapa e sem o peso político de figuras que ocuparam outros mandatos, mas, por enquanto, está dando orgulho aqueles que acompanham a sua trajetória. Não se curva. Que a linha continue reta!

 

*Romilson Dourado é jornalista em Mato Grosso e editor do site politico RDNews 

 

Senador José Medeiros presidindo o Senado Federal 


Autor: Romilson Dourado


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