Quinta-Feira, 19 de Fevereiro de 2026

O que podemos falar do sistema viário brasileiro: bom uso, mau uso ou abuso de uso




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Quando em 2008 foi iniciada a reconstrução da BR163, trecho entre Jangada e Guarantã do Norte no estado do Mato Grosso. Foi anunciado que o padrão de pavimento que seria adotado era diferente, falavam em “padrão europeu”, e foi.

Eu como circulava bastante no trecho pude constatar, muitas vezes o serviço sendo executado. Primeiro era feito adição de cimento; eram distribuídos 50Kg para cada 20m²; logo feito a homogeneização mecânica de uma camada de 20cm, compactado, imprimado com CM30 e executado TSS (Tratamento Superficial Simples) e por ultimo a camada de acabamento com CBUQ (concreto betuminoso usinado a quente). Infelizmente o que vimos foi em um ano e meio, mais ou menos, o pavimento já estar todo danificado.

As perguntas são: foi má qualidade na execução da obra, foi erro de projeto ou erro na concepção, na escolha do tipo de pavimento? Ou a causa é mau uso, com abuso e excesso de cargas? Ou ambas?

Devemos saber que tanto na Europa quanto em outros países o PBTC (Peso Bruto Total combinado) máximo é 60 toneladas, para composições formadas por cavalo-mecânico ou chassi com um segundo semi-reboque, 40 toneladas para o conjunto clássico cavalo-mecânico mais semi-reboque de três eixos e 44 toneladas de PBTC para caminhão chassi atrelado a um semi-reboque, isto rigorosamente fiscalizado e com punições severas tanto a condutores, quanto a donos de veiculo e donos da carga, em caso de desrespeito.

 Em outros países como, USA ou Canadá ou Austrália, temos grandes combinações que transportam cargas de até 100 toneladas, mas que trafegam exclusivamente em vias expressas, sendo proibido a circulação destes em vias secundarias tipo as nossas vicinais ou estaduais, com rígido controle de pesos das cargas nas rodovias secundarias e ainda maior nas não pavimentadas.

No Brasil o que vemos é uma total libertinagem no uso do sistema viário, caminhões, CVCs do tipo bi-trem de nove eixos, com PBTC de 74 toneladas, adentrarem pelas estradas estaduais, e até pelas estradas vicinais não pavimentadas, levando ao risco dos usuários, tanto motoristas destes veículos, como de veículos leves que usam as estradas e principalmente ao comprometimento de pontes de madeiras, pontilhões e bueiros, que são dimensionados para cargas brutas de 25 ton, portanto não preveem o transito de caminhões com cargas deste tipo.

 Em se tratando de rodovias pavimentadas, estamos abusando do peso, pois para uma carga de 74 ton com velocidade de aproximadamente 80 km/h e um fluxo de veículos de mais de 30 veículos por hora, o dimensionamento do pavimento leva ao uso de concreto armado, tipo executado na serra de são Vicente ou nobres.

Precisamos parar de brincar de ser engenheiro e tratar com responsabilidade nossos projetos. Precisamos também do entendimento das autoridades políticas para exigir o uso adequado de nossas rodovias, com cargas compatíveis com o pavimento de cada uma, ou nunca teremos a infraestrutura adequada em nosso país, pois construímos rodovias para trafegar veículos com X toneladas de peso e usamos para trafego de 3X. Lógico que não suporta.

 

*Paulo Vargas é engenheiro civil em Mato Grosso


Autor: Paulo Vargas


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