Sexta-Feira, 24 de Julho de 2026

Grupo guerrilheiro da Farc usa aeroporto de São Felix do Araguaia para exportar cocaína




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As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) utilizavam aviões saindo dos aeroportos de São Felix do Araguaia (1.000 km da capital) e Sinop (500 km de Cuiabá), além de outros municípios do interior de São Paulo e de Bacabal, no Maranhão, para transportar e exportar cocaína até a Venezuela e de lá para Honduras e até o México, informou a Polícia Federal no fim desta semana.

Para fraudar os aeroportos de cada município e país e enganar as forças aéreas, a quadrilha tinha códigos transponder venezuelanos. A PF não divulgou quanto os traficantes movimentaram para a milícia colombiana, mas, para se ter uma ideia, há mensagens captadas pelos policiais nas quais se fala em propinas de até US$ 400 mil para militares venezuelanos.

Com o transponder, afirma a PF, a força aérea do país que um dia foi de Hugo Chavez sistematizava a propina ao reconhecer os aviões pagos para não os derrubar, mesmo se informados pela PF brasileira que eram aeronaves carregadas de droga colombiana. Os aviões pousavam em Aparte, Distrito Zulia, perto da base militar de Maracaibo, onde eram carregados com a droga colombiana trazida pelas Farc.

Responsável pelo comando das investigações, a PF paulista, por meio de sua Delegacia de Repressão a Entorpecentes, cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas e aqui em Mato Grosso. Vários bens, como imóveis e empresas, além de contas bancárias, foram sequestrados pela Justiça Federal.

Essas prisões são desdobramentos das mesmas investigações que, iniciadas em 2012, resultaram na apreensão do helicóptero da empresa Limeira Participações, do senador Zezé Perrella (PDT-MG), em 2013, com 445 quilos de cocaína. Ainda segundo a PF, o venezuelano Euder Jaramillo Perdomo seria o responsável pela logística.

Com outro código transponder, o avião já carregado com a considerada melhor cocaína produzida no mundo, rumava para Honduras. Ali, a propina para a polícia era de US$ 200 mil/voo, a carga era entregue aos mexicanos, sempre com carregamentos entre os 700 os 2.500 quilos de cocaína.

O relatório do delegado da polícia federal Rodrigo Levin coloca como suspeitos os empresários brasileiros Manoel Meleiro Gonsalez e Ronald Roland. Seriam eles os donos das aeronaves e também os responsáveis por carregá-las com cocaína colombiana, com contato direto com as Farc.

Paulo Flores é único dos três acusados do grupo (Gonsalez e Roland respondem ao inquérito em liberdade) que foi preso durante a investigação, com R$ 2,3 milhões em dinheiro, e também dono de sete empresas aéreas. Mesmo assim, todos se dizem inocentes.


Autor: AMZ Noticias com Diário de Cuiabá


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