“Retornem seus acentos a posição vertical, mantenham cintos afivelados e a mesa a sua frente travada, estamos passando por uma área de Turbulência”
E chegou junho de 2013, sem se ter previsão, começaram as “badernas”, manifestações de rua, a principio, contra os aumentos das passagens de ônibus, nas grandes cidades.
Comentaristas de grandes telejornais desavisados e sem passar pela “reformatação” chegaram bradando “-Baderneiros, vândalos, desocupados, ocupam os espaços públicos impedem o ir e vir da população, depredam o patrimônio publico e privado, para reclamar por R$0,20”.
Não sabiam que o momento era de turbulência. Turbulência não econômica, não política e sim social, onde se começava uma nova ordem no país e os que sempre condenaram manifestações, saíram às ruas, o “errado” de outrora passou a ser vanguarda, protagonismo, moderno.
Os comentaristas foram submetidos à reformatação, às pressas e no outro dia ainda com algumas configurações atrapalhadas ou mal definidas, entraram aplaudindo os manifestantes, meio gaguejando, afinando ainda: “não era só pelos vinte centavos!”, mas “tem uns aí que...”. E não era mesmo, era por uma reforma política, por uma legislação de democratização dos meios de comunicação, por políticas de mobilidade urbana, por espaços de lazer e práticas de esportes nas grandes cidades, abarrotadas de condomínios e Shopping Centers.
As manifestações eram também pelo direito de acesso a estes espaços pelos negros, pobres favelados, e logo veio o “Rolezinho”. Claro que a nova ordem vigente inverte o significado de manifestação, mas filtra os manifestantes, elite na avenida paulista é diretito de manifestação, Rolezinho no Barra Shoping ou Iguatemi já é: “temos que analisar melhor”.
Nós que nascemos na década de 60 fomos adestrados a aceitar que manifestação de rua é coisa de baderneiro, desocupado, vândalo, tal qual bradou o comentarista no grande telejornal, sofremos muito nos anos de faculdade quando nos atrevíamos a sair a rua e protestar.
Protestar por “comida sem barata no R.U.” por ônibus sem super lotação que nos levassem ao Campus, por eleições diretas, por acesso a informação, por combate a corrupção, por fim da Divida Externa, por controle da Inflação, éramos duramente controlados por forças policiais, tropas de choque com cavalos e cachorros, tipo a que ocorreu este ano em Curitiba e o principal é que nunca éramos atendidos.
A nova ordem não foi a cabo na revolução que se pensou que ocorreria em junho de 2013, logo seus propósitos foram filtrados e apropriados pelos reformatados, o viés de revolução de comportamento passou a ser um movimento eleitoral, que foi derrotado, depois um movimento de protestos por impeachment, por combate a corrupção, mas diria aqui com meus botões, SELETIVA.
Toda a efervescência, revolução ou turbulencia passa e nesta nossa brasilidade, esperamos logo e que os reflexos na economia na democracia e nos direitos individuais não sejam significativos, mas no comportamento das massas sim e que no futuro se tenha sempre o direito de manifestação e protestos, garantidos a todos, mesmo que os sinais de Curitiba nos mostre que ainda há repressão quando o alvo é os que tínhamos outrora.
*Paulo Vargas é engenheiro civil e analista politico em Mato Grosso
Autor: Paulo Vargas