A situação da presidente Dilma Rousseff não é boa. Ela foi contemplada no Supremo Tribunal Federal, com relação à discussão sobre o ritual do impeachment, e até vem somando votos preciosos no Congresso Nacional, em razão do desgaste do Eduardo Cunha.
Este se encontra acuado e quase sem saída, diante do seu próprio envolvimento com o recebimento de propinas, identificada pela Operação Lava Jatos.
O que enfraquece mais e mais a oposição, a qual tinha depositado ingenuamente suas fichas no presidente da Câmara Federal.
Deu no que deu. O impeachment se torna muitíssimo difícil. Mas a presidente Dilma continua sofrendo resistências no seio da população.
O Datafolha, em pesquisa do dia 19 de dezembro de 2015, por exemplo, registrou que a presidente Dilma recuperou um pouquinho a sua imagem. Depois de atingir a marca de 71% de desaprovação, o seu governo recuou, e, agora, tem 65% de reprovação. Índice ainda bastante alto.
Tanto que, caso seja mantido este número até as eleições de 2018, o seu candidato jamais alcançará a vitória. Isto torna ainda mais complicado quando se sabe que o seu desgaste também pesa sobre os ombros de quem tem o seu apoio na corrida à sucessão. O que facilitaria a vida de um oposicionista.
Este, contudo, igualmente teria problema, a dificuldade de juntar perto de si os partidos de oposição. Especialmente se este nome - oposicionista - for alguém não conhecido e nem com capital político bastante.
Entende-se, portanto, o porquê a Marina Silva aparece como a presidenciável com maior ganho em todas as pesquisas de intenção de votos, apesar de ter alcançado apenas 26%.
Índice percentual bem abaixo do Aécio Neves, com 33%, e que aparece na condição de vitorioso em segundo turno com qualquer um dos supostos candidatos.
Ainda com relação aos números do governo Dilma, cabe acrescentar: o índice de 8%, em agosto, para 10%, em novembro, e, em dezembro, 12%.
Neste particular, a mais alta taxa de aprovação se encontra entre os de maior idade (60 anos ou mais). Índice de 21%. Os moradores do nordeste também registra uma alta pontuação a presidente, 17%.
Esta melhoria, embora significativa, não significa dizer que o governo Dilma Rousseff escapuliu-se do vendaval em que se encontrava. Ela se mantém em um redemoinho complicado. Até porque são 65% dos brasileiros que consideram o governo ruim ou péssimo.
Isso se deve a crise econômica. Uma crise que está longe do fim. Não é a substituição do Levy pelo Barbosa no Ministério da Fazenda que iria mudar tal cenário. A reprovação do empresariado a essa substituição é bastante lapidar.
Sinal que igualmente foi registrado quando se deu a aceitação do pedido de impeachment pelo presidente da Câmara Federal. O mercado reagiu de imediato, e foi favoravelmente.
O cenário vivido - há muito não presenciado - só mudará com ações, planejamentos e medidas capazes de debelarem a inflação. A impulsão do crescimento econômico se dará logo imediatamente.
Mas, infelizmente, este não é a foto que se tem no momento.
*Louremberg Alves é professor universitário e analista político em Cuiabá.
Autor: Louremberg Alves