Sexta-Feira, 24 de Julho de 2026

Senadores do PMDB se articulam para retirar Michel Temer da presidência do partido




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Em pleno recesso parlamentar e enquanto as atenções gerais são conduzidas para a Lava Jato, cresce muito um conjunto de articulações que, se consumadas, mudariam o panorama político em sua parte mais influente na vida nacional. Como maior partido e detentor dos postos mais importantes no Congresso, é natural que o PMDB e seus dirigentes estejam no centro da turbulência. Mas não só os parlamentares.

Mais do que a convenção peemedebista marcada para março, quando será eleito ou reeleito o presidente do partido, foi o próprio Michel Temer a dar oportunidade para algo como um despertar do PMDB. O longo reinado de Temer no partido deve-se, em grande medida, à sua inércia. A ninguém incomodou nesse tempo, pouco falou, o que falou não interessava, quando muito transmitia pedidos de cargos. O partido fracionou-se, deu caminho ao aventureirismo venenoso que associou Eduardo Cunha e o PSDB da Câmara, e assim agigantou a crise, para nada.

Com a hipótese de impeachment de Dilma, Temer pôs em xeque a lealdade de vice-presidente e liberou a sua ambição. Uma jogada individual cuja inabilidade o indispôs com as figuras mais relevantes do partido, tanto mais que se associou a Eduardo Cunha. Afastar Michel Temer na convenção tornou-se objetivo comum aos senadores do PMDB. Meta que satisfaz a maioria dos governadores peemedebistas, que não endossaram a ambição de Temer e há tempos se sentem desligados dele, muito desinteressado dos problemas estaduais.

No PMDB do Rio, é dado como certo que Renan Calheiros se elegeria para a presidência do partido. De fato, Renan tem base, no Congresso e em seções estaduais, para aspirar à presidência. As repórteres Marina Lima e Cristiane Jungblut noticiaram, há pouco, um acordo entre os senadores Eunício Oliveira, Romero Jucá e Renan. O primeiro assumiria a presidência do Senado ao fim do mandato de Renan, no ano que vem, e Jucá substituiria Temer agora em março. Não é tudo. Na Câmara, já em fevereiro, com auxílio do trio, Leonardo Picciani seria eleito líder da bancada. E Renan, nesse acordo? Não ficou claro. Um ministério duradouro, talvez.

A presidência do PMDB com Renan ou com Jucá daria no mesmo, quanto a uma revisão grande no PMDB e refletida para fora. Pelo que se sabe de ambos, o provável é que os governadores fossem chamados dos seus atuais limbos para o palco que tinham no partido e nas costuras federais. Resultado de tudo isso: mudança extensa na relação entre as forças políticas. Tudo isso em que sentido? No PMDB muitos falam em candidatura própria na sucessão de Dilma.

Mas não é tudo ainda. Se confirmado o afastamento de Eduardo Cunha, há também a presidência da Câmara nas cogitações que ocupam o recesso peemedebista. Sem sinais perceptíveis a respeito. O que se percebe, mesmo, é uma certa gana que tomou o PMDB dos cabelos grisalhos. Ou mais. Aliás, sobretudo pintados.

Michel Temer, consta, vai visitar vários partidos com a pregação da unidade partidária. É o mais remoto atrativo político que poderia escolher para tentar reeleger-se.


Autor: AMZ Noticias com UOL


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