O mesmo roteiro, mesma estratégia de reivindicação. O filme também é igual ao de anos anteriores.
Nada mudou, nem o uso do movimento grevista para pressionar o Executivo a aprovar o reajuste da passagem do transporte coletivo.
Reajuste que pode ficar em torno de R$ 0,50 a R$ 0,70, elevando a passagem para até R$ 2,80.
Acréscimo considerável, e que deve pesar muitíssimo na conta do usuário, o qual já tem uma situação bastante complicada, com a carestia da cesta básica.
Por falar em custo. Os empresários do transporte coletivo justificam o aumento da passagem em razão do alto preço para a manutenção de suas frotas de ônibus e os vencimentos de seus funcionários.
Diante disso, e levando em consideração apenas a planilha apresentada, sempre com valores a maiores, não há como negar-lhes o reajuste.
Acontece, porém, o dito reajuste - independentemente do seu valor - não trará melhoria alguma para o conjunto dos usuários.
Este, na verdade, já paga um valor de primeiro mundo por um sérvio de quinto mundo. Isto porque o transporte coletivo de Cuiabá é o pior de todas as capitais dos estados brasileiros.
Os ônibus, na grande maioria, são velhos e se encontram sempre sujos. Seus atrasos são também bastante constantes. O desconforto, portanto, é quase insuportável.
A licitação, tão prometida pelo atual prefeito, e que deveria ser feita desde agosto do ano passado, até hoje continua como frase solta em um discurso sem substancia. A desculpa - acreditem! - é a não conclusão do VLT.
Um veículo que não irá entrar em funcionamento tão cedo, mesmo que já se tenha gasto mais de um bilhão de reais, no governo passado.
O VLT, quando entrar em funcionamento (sabe-se lá quando?), irá ajudar a disciplinar o trânsito, pois contribuirá na diminuição do número de carros pelas ruas, com seus donos a também se valer do VLT para se dirigirem aos seus locais de trabalho, além de ajudar muitíssimo os atuais usuários do transporte coletivo.
O cenário seria promissor. Bastante diferente da realidade vivida, onde quase nada funciona.
Até o novo modelo de ponto de ônibus, implantado a partir do final de 2015, é tão ou bem pior do que se tinha e tem. Não tem como o usuário se esconder do sol, nem da chuva.
E, para complicar ainda mais, os pontos não contam com o mapa da cidade e o mapa do itinerário dos ônibus.
Cuiabá, aliás, talvez seja a única Capital que não conta com um único mapa de seu perímetro urbano, espalhado por seus pontos de referencias, com o fim de ajudar o pedestre e o motorista. Isto é simplesmente triste - para não dizer outra coisa.
Pois deixa a ver navios uma porção de pessoas, e bem mais ainda os que vêm do interior do Estado e de fora.
Nesse sentido, nada justifica o valor reivindicado do reajuste da passagem do transporte coletivo.
*Louremberg Alves é professor universitário e analista político em Cuiabá.
Autor: Louremberg Alves