O Juízo da 7ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro, sob o comando de Fernando César Ferreira Viana, admitiu a possibilidade de agendar nova realização de leilão da CAB Ambiental, braço forte da Queiroz Engenharia, que se encontra em recuperação judicial com dividas da ordem de R$ 1,7 bilhão por causa da operação Lava-Jato.
Essa possibilidade foi também admitida em entrevista concedida pelo diretor financeiro da Aegea Saneamento, Flávio Crivellari, ao Valor Econômico no final do mês passado, sinalizando que o mesmo tem interesse em adquirir a CAB Ambiental e, por conseguinte, a CAB Cuiabá, que é hoje a maior empresa de saneamento básico da holding.
Crivellari frisou que a Aegea vive um excelente momento para aumentar de tamanho e já se articula para garantir uma estrutura para esse objetivo, assinalando que o ajuste fiscal, aliado à operação Lava-Jato, deixou a empresa em um ambiente de maior demanda com menos concorrência.
A falta de recursos públicos tem levado municípios a fazerem licitações de serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
A CAB Cuiabá, que assumiu em maio de 2012, encontra dificuldades para fazer frente às exigências e vive sob ameaça de intervenção por parte do prefeito Mauro Mendes (PSB), que tem estudos que apontariam para um prejuízo superior a R$ 300 milhões se retomar a concessão de 30 anos.
A Aegea, que demonstrou interesse em adquirir a CAB Ambiental nas duas vezes em que a mesma foi levada a leilão, mas acabou recuando, assinalou em nota que o plano de recuperação judicial do Grupo Galvão, aprovado em assembleia, prevê a venda da unidade produtiva isolada (UPI) CAB em leilão judicial pelo valor mínimo de R$ 600 milhões.
Nesses termos, a CAB seria vendida "livre de ônus", ou seja, de modo que seu comprador não se tornaria um sucessor nas dívidas e contingências do Grupo Galvão.
Ainda há expectativa de que a compra possa ser feita em condições mais seguras. A Aegea já deixou articulada com seus acionistas uma capitalização que viabilize o crescimento por essa via.
Um dos exemplos da força da Aegea é que a mesma arrematou oito dos 13 contratos firmados com a iniciativa privada no setor, sendo que a empresa está presente em 43 municípios do país e atende uma população de 3,5 milhões de habitantes.
Segundo o diretor da Aegea, a expectativa é de que haja um aumento nas concessões plenas (água e esgoto) nos municípios, ainda que concentradas na primeira metade deste ano, junto com parceiras público-privadas nos estados para os serviços de esgoto.
O leilão de compra da participação de 66,5% do grupo Galvão Engenharia na CAB Ambiental, marcado no ano passado, não atraiu interessados. O grupo passa por um processo de recuperação judicial. O BNDES detém os 33,5% restantes.
Autor: Marcos Lemos com Diário de Cuiabá