O secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, revelou que o presidente regional do PMDB, deputado federal Carlos Bezerra, “acampou” na Secretaria de Fazenda, junto com o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), nos quatro últimos dias de 2014.
Assim que assumiu o Palácio Paiaguás, o governador Pedro Taques (PSDB) informou que encontrou na Conta Única do Estado apenas R$ 84 mil. À época, ele já havia declarado que Silval ficou "trancado" na Sefaz nos últimos dias de sua gestão.
“Nos últimos dias do Governo passado, o deputado Bezerra acampou na Secretaria de Fazenda. Passou três ou quatro dias lá dentro. Fazendo o quê, somente Deus e as cortinas da Sefaz podem responder”, disse Paulo Taques.
“Mas ele ficou lá com o ex-governador Silval Barbosa. Pediam comida de fora, para não saírem nem na hora do almoço. Foi o que ouvimos aqui”, afirmou.
Segundo Paulo Taques, o cacique do PMDB tinha livre acesso aos corredores do Palácio.
“Aqui, os gatos do Palácio Paiaguás dizem que o deputado tinha porta aberta, literalmente, no Governo passado. Às vezes, era até constrangedor: ele entrava no gabinete do governador sem pedir licença e interrompendo reuniões. Então, ele participou daquele Governo ativamente. Isso é um fato. As consequências desse fato somente vamos saber no futuro”, disse.
De acordo com o secretário, mesmo fazendo parte do Governo passado, Bezerra declarou, recentemente, considerar justa a prisão do ex-governador, acusado de chefiar um suposto esquema de cobrança de propina por meio do Programa para o Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic).
Para o secretário, as declarações são uma demonstração de “oportunismo”.
“Outro dia, li uma declaração do Bezerra dizendo que era correto que o ex-governador Silval estivesse preso. As sanguessugas têm mais lealdade que uma postura dessas. Isso é uma demonstração inequívoca de oportunismo”, afirmou.
“Então, não sei se o deputado Bezerra é o mais apropriado para se falar em companheirismo, fidelidade e relacionamento partidário. Porque, como disse, essa postura de estar acompanhando de dentro o Governo Silval e agora dizer que está certo o ex-governador estar preso, acho que até as sanguessugas têm uma conduta mais companheira”, disse.
Críticas a Taques
O secretário-chefe da Casa Civil afirmou que Carlos Bezerra não tem “condições morais” para falar sobre a gestão de Pedro Taques. Nas últimas semanas, o cacique alfinetou a gestão do governador.
O principal fator de discórdia, entretanto, seria o fato de Taques ter vetado o PMDB no palanque de candidatos apoiados pelo PSDB, nas eleições de 2016.
“Outro dia, ouvimos o deputado Carlos Bezerra dizer que o governador era um político inexperiente. O que o deputado Bezerra tem de vida pública é o que temos de idade. Devemos respeitá-lo por isso. Mas não queremos ter a experiência que o deputado Bezerra tem”, disse.
“Criticar pode criticar sempre. Mas, do ponto de vista moral, não vejo ele em condições de escrever nem duas linhas sobre nosso Governo. Ele diz que somos inexperientes. Da experiência que ele tem, não queremos nem passar perto. Graças a Deus, somos inexperientes e vamos continuar sendo o resto da vida”, completou.
Autor: Douglas Trielli com Mídia News