Em depoimento ao Ministério Público Estadual (MPE) no dia 28 de janeiro, o empresário Robinson Todeschini, um dos sócios proprietários da Constil Construções, negou a versão apresentada inicialmente na Polícia Federal em depoimento em um dos inquéritos vinculados a Operação Ararath que apura esquema de lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional envolvendo autoridades de Mato Grosso e negou veementemente que tenha pago propina ao ex-prefeito de Cuiabá e atual deputado estadual Wilson Santos (PSDB). Por outro lado, ele confirmou que devolvia montantes em dinheiro ao ex-prefeito Chico Galindo (PTB), o que correspondia até 50% do valor de notas fiscais superfaturadas em obras de pavimentação asfáltica.
Conforme depoimento ao promotor de Justiça André Luis de Almeida ao qual FOLHAMAX teve acesso com exclusividade, o empresário Robinson Todeschini revelou que entrou na administração da empresa Constil em 2012 após uma auditoria interna identificar um ano antes sérios indícios de fraudes na administração. Ao assumir uma das diretorias da Constil Construções, a liberação de todos os pagamentos tinha que receber seu aval para ser efetuado, bem como de um dos seus sócios, Bruno Simoni.
Em determinado momento, Todeschini descobriu por meio do sistema gerencial da empresa um depósito no valor aproximado de R$ 1 milhão numa conta do banco Santander, o que veio a se repetir em um outro mês. Após tirar um extrato bancário, conversou com o sócio Bruno Simoni para saber o que estava acontecendo.
Então, foi informado que aquelas operações financeiras estavam sendo feitas porque 50% do valor depositado pela Prefeitura de Cuiabá deveria ser depositado em contas bancárias de pessoas indicada pelo então prefeito Chico Galindo. Todeschini entregou ao promotor de Justiça André Luis de Almeida 10 cheques emitidos no período de 13 de março a 25 de maio de 2012 que totalizam R$ 2,461 milhões.
Deste montante, 50% foi devolvido para contas bancárias indicadas por Chico Galindo, que administro a capital do Estado entre abril de 2010 e dezembro de 2012. Conforme o empresário, o pagamento da propina se concretizava por meio da emissão de notas fiscais fraudulentas. “No momento da execução dos serviços de tapa buracos, a Constil realizava metade do serviço e a outra metade era feita pelo município. Contudo, na medição, constava que 100% do serviço era feito pela Constil e por isso era possível repassar 50% do valor para Chico Galindo”, diz um dos trechos do depoimento.
Diferente da versão apresentada a Polícia Federal de que as fraudes ocorriam em obras do programa Poeira Zero, Todeschini informou que as obras executadas com o compromisso de devolução de parte do dinheiro seriam referentes a operação Tapa Buracos e não ao programa Poeira Zero, uma das bandeiras da gestão de Galindo no período em que permaneceu à frente do Palácio Alencastro.
Autor: Rafael Costa com FolhaMax