Eu tenho nojo da política. Todos os políticos são ladrões. As assembleias legislativas e câmaras municipais são verdadeiros circos.
Todos as instituições ligadas ao poder estão podres e tomadas pela corrupção. Nosso país não tem jeito e vai ser sempre assim.
Frases como estas estão cada vez mais comuns entre nós. A indignação das pessoas com a política e, principalmente, com os políticos está cada vez maior e vem crescendo a cada eleição.
São tantos escândalos que política virou sinônimo de meio para enriquecer a qualquer custo e de levar vantagem em tudo; e o político, sinônimo de ladrão e corrupção.
Quem fura fila, transita na contramão, compra atestado de saúde falso ou sempre tem uma velha desculpa para parar em uma vaga reservada para portadores de necessidades especiais, estes não são regras, muito menos referências para ninguém, são meras exceções.
Assim como o mal é a ausência do bem, a política precisa de pessoas boas e, portanto, não podemos ser seduzidos pela exceção.
A exceção é um vício enquanto que a regra é uma virtude. A exceção é o caos e a regra é a lei.
Precisamos das regras munidas de princípios morais capazes de balizar todo um sistema.
As exceções erram não porque desconhecem as regras, mas sobretudo porque perdem a capacidade de manter de forma integra seus princípios.
O político é corrupto porque o povo é corrupto ou o povo é corrupto porque os políticos são ladrões?
Nem todo povo é corrupto, assim com nem todo político é ladrão.
A política, na prática, deve estar no meio termo entre a falta e o excesso, sobretudo, como um instrumento de liberdade capaz de alterar destinos e transformar toda uma sociedade.
Na política você pode até mudar de opinião, trocar a maneira de fazer política, manter seus princípios, mas nunca perder suas raízes.
O radicalismo, o fanatismo, o ceticismo e a apatia social são as formas mais covardes e passivas de se fazer política.
Um político medíocre, corrupto e idiota só chega ao poder quando está bem representado.
*Haroldo Arruda Júnior é professor-doutor da Universidade Federal de Mato Grosso.
Autor: Haroldo Arruda