Jornal da Notícia
  Quinta-Feira, 23 de Julho de 2026

Dom Leonardo: “Os índios estão sendo tratados como segunda categoria de pessoa”




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“Não há vivacidade nos olhos delas (crianças Guarani-Kaiowá), comum a qualquer criança. As privações desse povo são inúmeras e o motivo principal é a falta de demarcação das terras indígenas. (...) Encontrei um povo de pé, que sabe o que quer”, ressaltou Dom Leonardo Ulrich Steiner, Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), durante visitas às retomadas Laranjeira Nhanderu, Kurusu Ambá e Guaiviry.

O bispo destacou que no tekoha de Nísio Gomes, o Guaiviry, a insegurança é ainda grande e que os indígenas não possuem confiança na polícia do Mato Grosso do Sul. Disse ter sentido uma comunidade amedrontada, mas disposta a lutar; se organizando e buscando justiça, sem confronto e de forma digna.

Sobre os Guarani-Kaiowá, Dom Leonardo acredita ser “um povo desenraizado não porque querem, mas porque não se sentem em casa. Casa não é um edifício; casa é onde se dá a vida, onde se criam as relações, onde se criam os filhos, onde se sonha, onde se enterra os antepassados. É um povo sem casa”.

O religioso entende que existem dificuldades dos Kaiowá de expressarem a cultura, porque estão sem terra. Dom Leonardo observou que o que chamamos de céu e terra, para eles é a terra. “Essa discriminação que existe contra o índio não é só aqui, mas em todo Brasil”, pontua. Dom Leonardo atuou junto aos povos indígenas do Mato Grosso, pois é bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia.

 “Quanto Igreja procuramos apoiar esses povos através do Cimi e com outras atividades desenvolvidas”, declara Dom Leonardo. De acordo com o bispo, a CNBB sempre buscou um diálogo intenso com o governo para que realmente aja uma demarcação das terras. Durante a visita, Dom Leonardo se reuniu com o Ministério Público Federal (MPF) de Ponta Porã (MS) e com a Justiça Federal de Dourados (MS). 

Para ele, existe também a preocupação com os pequenos agricultores, que estão em terras indígenas por culpa do Estado e não podem sofrer com o abandono no processo de saída do território.

Questionado por um jornalista sobre o que deve ser feito, Dom Leonardo disse apenas uma palavra: justiça. “Os índios estão sendo tratados como segunda categoria de pessoa”.


Autor: Jornal da Noticia com Assessoria -


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