O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB), negou que tenha recebido ilegalmente dinheiro da construtora Odebrecht, conforme planilha apreendida pela Polícia Federal na 23ª fase da operação Lava Jato, denominada “Acarajé”.
A relação dos beneficiados foi divulgada pelo jornalista Fernando Rodrigues em seu blog vinculado ao portal de notícias Uol.
Na lista, Maluf aparece como beneficiário de R$ 150 mil na campanha eleitoral de 2012, quando concorreu a prefeito de Cuiabá e ficou na quarta colocação, e outros R$ 350 mil na eleição de 2014, quando concorreu à reeleição de deputado estadual.
O parlamentar, no entanto, negou manter qualquer relação com a empreiteira e não descartou a possibilidade de uma trama política para envolver o PSDB, principal partido de oposição ao governo federal, em escândalos de corrupção no momento delicado em que está o mandato da presidente da República, Dilma Rousseff (PT).
“Nunca mantive contatos com representantes da Odebrechet e não sei quais obras estão sendo conduzidas pela empresa em Mato Grosso. Qualquer denúncia envolvendo o PSDB favorece o governo federal. Pode perfeitamente ser uma cortina de fumaça para esconder outras coisas mais graves. O PSDB já está sendo alvo de denúncias como citação do caso de furnas pelo Aécio Neves e tantas outras”, disse.
Maluf apresentou aos profissionais da imprensa em entrevista coletiva ontem à tarde documentos em que constam gastos de campanha entregues a Justiça Eleitoral e devidamente aprovados que foram R$ 4,3 milhões na campanha a prefeito de Cuiabá nas eleições de 2012 e R$ 976 mil em 2014 na campanha a deputado estadual.
Nos dados oficiais não consta nenhuma doação oficial da Odebrecht e a possibilidade de doação para caixa 2 de campanha eleitoral foi devidamente rechaçada pelo parlamentar. Maluf também não descartou que possa ter ocorrido alguma falha administrativa.
“Pode ser que o PSDB nacional tenha recebido doações e repassado aos candidatos. É uma possibilidade. Mas não acredito que meu nome tenha sido usado por terceiros. Espero que as investigações da Polícia Federal prossigam e estou aberto a qualquer esclarecimento aos órgãos de fiscalização”, disse.
Na planilha apreendida pela Polícia Federal, o ex-senador Antero Paes de Barros, que disputou sua última eleição em 2010, quando concorreu ao Senado, aparece como suposto beneficiário da quantia de R$ 80 mil.
O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) supostamente seria tratado como "boiadeiro" na lista e teria recebido uma quantia de R$ 500 mil. Porém, não há especificação de que seja propina ou caixa 2 de campanha eleitoral, o que só poderá ser esclarecido com as investigações da Polícia Federal ainda em andamento.
Autor: AMZ Noticias com Assessoria