O governador Pedro Taques tem todas as credenciais para ser Presidente da República. Parece-me que quer ser. E, do meu ponto de vista, merece ser. No entanto, para chegar lá – e, sobretudo, manter-se em tempos turbulentos – deve fazer da sua experiência estadual um laboratório para transformar a si mesmo.
Governar um país múltiplo como o Brasil demanda um grau de pragmatismo político incompatível com vetos partidários ou pessoais. É que os amorfos partidos políticos atualmente não representam nada que não a própria governabilidade por meio de uma somatória de forças individuais.
A presidência convive, alia-se e governa com políticos que não passariam sequer num concurso público, tamanha é a ficha corrida em termos de processos penais. Resta ao líder saber de tudo, tolerar muito, unir-se aos iguais, buscar os melhores, nunca os mais fracos e amedrontados.
Num mesmo partido há quadros que somam e outros que diminuem a estatura moral que Pedro Taques pretende emprestar aos cargos que ocupa e que ocupará. Cortar o diálogo é ceder a uma autocracia incompatível com o consenso construído no seio de um sistema partidário fragmentário, baseado em pessoas e não em ideias.
O governador não deve carregar a imagem de autocrata, portanto. Pode ser sedutora a ideia de “salvador”, ao sabor paternalista que tanto apetece o brasileiro que procura lideranças fortes, até mesmo impositivas. Não nos enganemos, contudo.
A política brasileira é muito mais complexa do que a maniqueísta classificação de pessoas em “boi branco” e “boi preto”. Essa categorização seria uma afronta política que eliminaria qualquer um de disputar o cargo que exige tolerância. É o primeiro cuidado a fim de habilitar-se ao diálogo nacional.
Com relação à administração, já se sabe que a demonização das gestões pretéritas é um discurso muito traiçoeiro, até porque vários atos administrativos serão repetidos à exaustão, programas que só mudam de nome, não de objetivo.
O gestor público precisa reconhecer os méritos e avanços de administrações que se passaram, a despeito de evidentes erros, como foi o caso no Estado de Mato Grosso.
A plataforma governamental de Pedro Taques não se sustentará eternamente no combate à corrupção, até porque não é da atribuição do executivo a investigação, denúncia, instrução processual e sentença de corruptos.
Aliás, em qualquer esfera administrativa, o governante deve saber conviver com os mesmos personagens que permeiam várias administrações e ter com eles uma relação diferente, pautada na produtividade e na honestidade.
O caso mato-grossense é paradigmático para um ensaio de candidatura nacional: ao mesmo tempo em que a máquina pública deve mesmo passar por auditorias para ver o que sobrou após a rapina organizada no governo anterior, não pode parar as engrenagens com essa única preocupação, espécie de paranoia.
Os gestores que assessoram o governador não podem viver à margem do medo de assinar os atos normais de comando. Mesmo que a crise e a emergência justifiquem as sucessivas dispensas de licitação, não é possível nos fiarmos na honestidade pessoal para que desvios não ocorram.
As coisas precisam funcionar e o clima de normalidade deve vigorar, sob um novo prisma. O gabinete anticorrupção foi uma inovação interessante, muito embora não dotado dos meios suficientes para gerenciar a base de dados relacionada à transparência total que pretendemos.
As auditorias e relatórios publicados demonstram que o erário mato-grossense foi roído até os ossos por cupins de terno e gravata que, hoje, sabemos exatamente quem são. A utilização dos símbolos oficiais como forma de despersonalizar a administração também é inovação digna de nota.
Como cidadão mato-grossense, quero ver Pedro Taques na Presidência da República. Ele se encontra num partido com repositório de nomes qualificados e projetos factíveis para o desenvolvimento nacional.
Esperamos que faça de Mato Grosso um exemplo de desenvolvimento, com obras de saneamento, de transporte, de mobilidade urbana, integrando-nos ao Brasil, uma demanda antiga de quem vive esperando um trem que nunca chega.
Esse “fazer diferente” é transformar a máquina estadual numa fonte de credibilidade. Mas é preciso “ser diferente”, mais tolerante, mais conciliador.
A prometida transformação começará na personalidade do próprio governante que, aos trancos e barrancos, deve entender que todas as instituições são igualmente importantes, devendo trata-las como parceiras e não como inimigas.
Um líder deve inspirar, não atemorizar; deve conquistar pela admiração e não pela força. Pedro Taques, mais maduro e conciliador poderá ser talhado para o que o Brasil precisa e merece. É um desejo, uma esperança e um alerta de quem torce. Torce muito.
*Eduardo Mahon é advogado em Cuiabá.
Autor: Eduardo Mahon