Policiais civis estão desde a tarde desta sexta-feira (29) à procura do empresário Marcos César Martins Campos, de 34 anos, acusado de espancar a ex-esposa, a médica Camila Campagnolli Tagliari Campos, de 29 anos.
O mandado de prisão expedido pela Justiça só chegou hoje às mãos da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher. De posse dos documentos, investigadores saíram às ruas.
Conforme o delegado Sidney Caetano de Paiva, o empresário foi indiciado por lesão corporal. O inquérito está desde o dia 19 no Fórum Criminal de Cuiabá. Caberá agora ao Ministério Público Estadual analisar os documentos e decidir se oferece denúncia contra o acusado.
Durante o inquérito, o advogado Dauto Passare chegou a pedir que Campos fosse indiciado por lesão corporal grave. Ele anexou laudos médicos particulares mostrando que Camila teve lesão no tímpano, que pode resultar em surdez, além de fratura no nariz.
Sem o laudo oficial do IML (Instituto Médico Legal), que ainda não está pronto, o delegado preferiu o indiciamento apenas por lesão corporal.
Distância
Antes de ser decretada a prisão de Campos, a Justiça havia reduzido para 200 metros a distância que ele deveria manter de sua ex-esposa.
Acusado de ter espancado a mulher, o empresário foi preso em flagrante e, depois de decisão proferida em audiência de custódia, foi liberado. Porém, ele teve de passar a utilizar tornozeleira eletrônica e manter distância mínima de mil metros da vítima.
Conforme a defesa de Camila, a redução na distância que deve ser mantida entre o ex-casal foi informada na última segunda-feira (25). A diminuição teria causado medo e insegurança à médica, que decidiu procurar o Ministério Público Estadual (MPE).
Segundo o advogado Dauto Passare, a redução na distância foi solicitada pela defesa do empresário na semana passada. A alegação era de que mil metros significavam um espaço muito grande, pois o ex-casal mantinha uma rotina que, muitas vezes, acabava fazendo com que a distância entre eles fosse inferior à determinação inicial.
“A Justiça concedeu a permissão para que a distância fosse reduzida para 200 metros e esse fato trouxe muita insegurança à Camila e à filha dela”, contou.
Passare relatou que a diminuição intensificou problemas psicológicos na filha da médica. A garota de 11 anos tem passado por acompanhamento psicológico desde que presenciou as agressões sofridas pela mãe.
“Diante de tudo isso, a Camila decidiu reportar toda essa insegurança ao Ministério Público”, contou.
Conforme Passare, quando ainda era válida a medida de mil metros de distância, por diversas vezes o botão do pânico, utilizado para informar se o empresário ultrapassava o espaço determinado, disparou.
“A Camila contou que muitas vezes o dispositivo disparou, apontando que ele estava a menos de mil metros. Mas ela não achava que isso era um risco, pois eles trabalham em regiões próximas e, às vezes, acabam passando pelos mesmos locais”, disse.
Mesmo com a redução da distância, o dispositivo chegou a apitar durante duas vezes nesta semana, conforme o advogado.
“O dispositivo disparou em dois dias desta semana, o que significa que ele se aproximou dela a uma distância menor de 200 metros. Mesmo ele não tendo a procurado, ela ficou com muito medo”, relatou.
Pedido de Prisão
Na denúncia que fez ao MPE, Camila revelou sobre as vezes em que o dispositivo disparou e sobre o medo de que ele a procurasse. Em razão das denúncias sobre o descumprimento da determinação judicial referente à distância, a Promotoria solicitou a prisão do empresário.
Logo após o pedido do Ministério Público, o juiz da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Jamilson Haddad, decretou a prisão preventiva do empresário.
A agressão
O episódio aconteceu no dia 27 de março. Marcos e Camila voltavam de um restaurante, onde comemoravam o aniversário do empresário.
Eles teriam iniciado uma discussão dentro do veículo. De acordo com o boletim de ocorrência, a agressão começou na garagem do edifício onde o casal mora.
No B.O., a médica informou que o marido se descontrolou durante o desentendimento e passou a agredi-la com puxões de cabelo, tapas e socos.
Ela afirmou que perdeu a consciência em razão das agressões e foi levada pelo próprio empresário até o seu apartamento.
Segundo consta no boletim, ao chegar no apartamento a médica voltou a ser alvo de agressões do marido.
No momento em que as agressões cessaram, a mulher contou que teve auxílio de amigos e do porteiro para acionar a Polícia Militar.
Autor: Vinicius Lemos com Midia News